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Santo André reduz em 63% dívidas de curto prazo

Serra: “tivemos muitos orçamentos ao longo dos anos que foram verdadeiras peças de ficção”. Foto: Ricardo Trida/PSAEm balanço dos seis meses de gestão, o prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), apresentou ontem (10) os esforços que a atual administração tem feito para equilíbrio das contas públicas. Entre os dados, o chefe do Executivo destacou a redução de 63% nas dívidas de curto prazo, que passaram de R$ 325 milhões em 31 de dezembro de 2016 para R$ 120 milhões em 30 de junho de 2017, fruto de acordos e refinanciamentos. Em restos a pagar, a queda foi de 60%, de R$ 219 milhões para R$ 88 milhões.

“Queremos mostrar o que esse choque de gestão que imprimimos na cidade nos primeiros meses, e que continua, já conseguiu trazer para a cidade”, afirmou o prefeito. “Fazer economia, claro que é bom. Estamos conseguindo colocar a casa em ordem, mas isso tem de ser convertido em serviço público de qualidade e melhorias para a população”, completou.

Serra lembrou que as dívidas de longo prazo, essencialmente os precatórios – Santo André é a cidade brasileira que gasta a maior parte de sua receita corrente líquida com esses pagamentos e o estoque é superior a R$ 650 milhões – não impactam no dia a dia da cidade e foram herdadas de antigas gestões.

“Tínhamos fornecedores que não recebiam há 18 meses. Dos 742 fornecedores com pagamentos em atraso, apenas 21 empresas não compareceram para regularizar os débitos”, destacou. “Para quem a prefeitura devia até R$ 30 mil, o valor foi quitado a vista”, complementou.

Segundo os dados apresentados, cortes e ajustes em horas extras e na folha de pagamento resultaram em economia de R$ 2,8 milhões por mês. “Contingenciamos 60% do orçamento de cada secretaria e cortamos cerca de 220 cargos comissionados”, detalhou Serra. “No corte dos cargos, a redução de custos vai chegar a R$ 5,9 milhões até o final deste ano”, declarou. A entrega de aluguéis e reaproveitamento de imóveis que são da prefeitura resultou em economia de R$ 200 mil por mês.

“É preciso lembrar também que tivemos muitos orçamentos ao longo dos anos que foram verdadeiras peças de ficção. É necessário adequar o orçamento à realidade do que pode ser efetivamente realizado”, afirmou. A peça orçamentária de 2017, estimada em R$ 3,1 bilhão, deve chegar em receitas realizadas apenas a R$ 2 bilhões. “Já tivemos orçamentos supervalorizados em até 38%”, pontuou.

Todo o esforço empregado pela administração, no entanto, não será o bastante para zerar o déficit da cidade (diferença negativa entre o que a cidade arrecada e gasta), que chega a R$ 120 milhões. “Nossa expectativa é reduzir R$ 3 milhões/mês de restos a pagar até o final do ano”, explicou o secretário de Gestão Financeira, José Carlos Grecco.

PSDB

Serra  foi evasivo ao responder se defende que seu partido abandone a base aliada do governo do presidente Michel Temer (PMDB), como já se manifestam publicamente nomes importantes da sigla. Durante coletiva sobre os seis meses de gestão, o tucano afirmou que o PSDB precisa ter agenda para o Brasil, independentemente de qual governo estiver no Palácio do Planalto.

“Defendo uma agenda de aprovação de reformas. Uma agenda de proatividade e recuperação da economia. Independentemente de ficar ou não. Esse governo do ponto de vista político já se esgotou”, afirmou. “O que pode contribuir, ou outro (governo) pode contribuir, é fazer essa agenda sair do papel. O país não aguenta um ano nessa incerteza e nessa instabilidade”, completou.

Serra foi enfático ao dizer que os quadros do PSDB devem defender as reformas e a agenda do país. “Já externei isso dentro do partido. Demorou para a gente mostrar que temos uma alternativa. Daqui a pouco vai ter a discussão dos planos de governo, das alternativas de governo para o país. Podemos antecipar essa discussão. Como o país vai voltar a crescer, gerar emprego e gerar renda? Temos essa obrigação, porque foi a gente que estabilizou a moeda, acabou com a inflação, criou o Plano Real e a gente não pode perder esse legado”, concluiu.

 

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