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S.Bernardo enfrenta paralisação no transporte e na coleta de lixo

Motoristas e cobradores da SBCTrans pararam entre 10h30 e 14 horas de ontem. Foto: Eberly LaurindoA Prefeitura de São Bernardo, que enfrenta há dois dias greve dos coletores de resíduos – o Consórcio SBC Valorização de Resíduos alega que a prefeitura deve mais de R$ 60 milhões (leia mais abaixo) – também teve de lidar, na manhã de ontem (7), com paralisação do transporte coletivo. Motoristas e cobradores de ônibus da empresa SBCTrans fizeram protesto na avenida Brigadeiro Faria Lima e paralisaram o trânsito entre 10h30 e 14 horas.

Segundo os trabalhadores, o motivo do protesto são os frequentes atrasos de salários. “Tem sido praticamente um mês sim e um mês não. Nosso salário atrasa. Se a data de pagamento é na sexta o dinheiro só cai na segunda. Esse protesto foi para a empresa ver que não estamos dormindo, foi um alerta, antes de uma greve de verdade”, alertou o secretário-geral adjunto do Sindicato dos Rodoviários do ABCD (Sintetra), Ademir José da Silva.

Em nota, a prefeitura informou que “a paralisação de motoristas e cobradores da empresa SBC Trans, iniciada na manhã desta terça-feira (7), foi encerrada por volta das 14h, também no dia de hoje (ontem). A administração ressalta que não possui pendências financeiras com a empresa de transporte e que as tratativas foram feitas diretamente entre a empresa e o sindicato”. A SBCTrans não se manifestou até o fechamento desta edição.

Lixo

Com greve dos coletores, lixo acumula nas ruas de São Bernardo. Foto: Anderson Amaral especial para o DRDesde segunda (6), os trabalhadores que coletam o lixo e o material reciclável na cidade estão de braços cruzados. Segundo o Consórcio SBC Valorização de Resíduos, responsável pela coleta na cidade e formado pelas empresas Revita Engenharia e Lara Central de Tratamento de Resíduos, mudanças nos procedimentos de pagamentos de despesas do exercício de 2016, efetuadas pela nova gestão, agravaram a situação da empresa, que já vinha se deteriorando nos últimos anos.

O Consórcio SBC Valorização de Resíduos venceu, em 2011, licitação e assinou contrato para executar o serviço de coleta e tratamento de resíduos em São Bernardo por 30 anos. Segundo a empresa, a dívida da administração supera os R$ 60 milhões. “Se por um lado estamos confiantes no espírito ético e no profissionalismo que norteia a atual gestão da cidade, por outro lado, no cenário atual de crise econômica, a falta de pagamento recente que já se alonga por 73 dias, atinge diretamente a capacidade de operação da empresa, nos incapacitando de continuar a executar os serviços e a honrar nossos compromissos com funcionários e fornecedores”.

A prefeitura nega que haja dívidas e que foram pagos, nos últimos quatro anos, R$ 728 milhões à empresa. “A prefeitura manifesta sua indignação pelo fato da empresa SBC Valorização de Resíduos S/A, que é composta pela Revita S/A e Lara Central de Tratamento de Resíduos Ltda, não ter pago os trabalhadores que atuam na coleta de lixo”. Confira a nota na íntegra:

“A nova gestão da Prefeitura de São Bernardo vem realizando auditorias e eventuais renegociações com todos os contratos, independentemente da sua natureza. Especificamente, sobre o contrato da empresa SBC Valorização de Resíduos, fruto de uma PPP (Parceria Público-Privada), cuja licitação foi realizada no ano de 2011, o processo de auditoria do contrato foi fiscalizado pela Agência Reguladora do município de São Bernardo do Campo, identificando apontamentos de irregularidades e ilegalidades. Dessa forma, como se faz com todos os apontamentos, a Prefeitura notificou o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), a fim de obter uma liberação ou impedimento da continuidade do contrato.

Assim, a prefeitura aguarda decisão judicial para tomar providências quanto à continuidade ou rescisão do mesmo.

De maneira injustificável, a empresa SBC Valorização de Resíduos não pagou seus funcionários e os mesmos não estão prestando serviços.

Diante das ações da SBC Valorização de Resíduos, a Prefeitura está tomando medidas legais e cabíveis para reestabelecer a coleta de lixo na cidade no menor tempo possível.

Durante esse período, a Prefeitura não mede esforços para minimizar os efeitos desta paralisação. A coleta de lixo está sendo realizada nos corredores comerciais, com os próprios funcionários da Prefeitura e da Frente de Trabalho. Estão sendo utilizados, de maneira emergencial; 24 caminhões basculantes, 7 caminhões, tipo carrocerias; 1 retroescavadeira; 4 Pá Carregadeira; outros 20 caminhões e cerca de 130 funcionários de toda a Prefeitura.

A prefeitura tem consciência de que tem a obrigação de manter a cidade limpa e fará isso. Entretanto, com preço justo e dentro das regras estabelecidas pela lei. A administração salienta que os trabalhadores não têm culpa e devem receber da empresa pelos trabalhos realizados, ressaltando ainda que não vai abrir mão de zelar pelo dinheiro público, pois da mesma maneira que quer ver a cidade limpa também quer contratos limpos.”

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