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Rússia pega Egito em busca da segunda fase

Rússia pega Egito em busca da segunda fase
Tchertchesov, durante coletiva, ontem: técnico não conta com a simpatia da imprensa russa. Foto: Divulgação/RFSRU

Bigode, estilo durão quase como o de um sargento, respostas atravessadas a jornalistas, algumas piadas e sorrisos para tentar quebrar o clima de tensão e a responsabilidade de não fazer feio à frente da seleção anfitriã do Mundial.

A descrição acima poderia muito bem se aplicar a Luiz Felipe Scolari na Copa de 2014, mas se refere a Stanislav Tchertchesov, 54, técnico da Rússia, que encara o Egito hoje (19), às 15h, em São Petersburgo, pela segunda rodada do Grupo A.

“Nunca trabalhei com o Felipão, mas dá para ver que é bravo, assim como Tchertchesov. Porém, é o jeito dele e procuramos entendê-lo. É um grande treinador e não está na seleção por acaso”, disse o lateral-direito Mário Fernandes.

Ex-goleiro e integrante da seleção russa na Copa de 1994, Tchertchesov entrou no Mundial em casa sob pressão, críticas e temor de ser eliminado ainda na primeira fase.

Não à toa. O retrospecto da Rússia sob seu comando é fraco. Até a Copa, em 20 jogos oficiais, obteve nove derrotas, seis empates e cinco vitórias.
Tchertchesov assumiu o comando do time russo após a Eurocopa de 2016 em substituição a Leonid Slutski e não conseguiu dar identidade à seleção. Tanto que, para a Copa, mudou o esquema de cinco defensores para quatro.

“Ninguém entende muito bem seu discurso, suas escolhas e o tom que adota para falar”, analisou o jornalista Mikhail Goncharov, do jornal “Sport Express”.

“Entre os jornalistas, Tchertchesov não é querido, não consegue explicar nada. Parece que sabe tudo e não precisa dar satisfações, que a seleção é só dele”, analisou Grigori Telingater, do site Championat.

No primeiro jogo, conseguiu acalmar um pouco os ânimos com a goleada por 5 a 0 sobre a Arábia Saudita.

Hoje, uma vitória contra o Egito deixará os anfitriões muito perto das oitavas de final. O time precisará apenas que os sauditas não vençam o Uruguai amanhã.

A seleção africana terá em campo Mohamed Salah – que, em recuperação de lesão no ombro sofrida na final da Liga dos Campeões, não atuou na derrota por 1 a 0 para o Uruguai.

FEITO

Avançar da fase de grupos seria um feito e tanto para a Rússia – que, desde a dissolução da União Soviética, em 1991, disputou três Copas e jamais avançou a um mata-mata. Na última, no Brasil, não venceu um jogo sequer.

De gênio difícil, Tchertchesov acumula brigas e desafetos em suas carreiras. teve problemas em quase todos os clubes em que passou com jogadores e dirigentes. Foi assim no Spartak, Amkar e Dínamo.

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