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Rui Falcão: ‘o descaso que houve com a pandemia continuou em relação ao sofrimento das pessoas’

Roldão de Almeida e Rui Falcão, durante visita a Renato Moreni. Foto: Divulgação
Roldão de Almeida e Rui Falcão, durante visita a Renato Moreni. Foto: Divulgação

O deputado federal Rui Falcão (PT/SP) esteve em Diadema no final de agosto, visitando o educador e pré-candidato a de­putado estadual Renato Moreni (PT). Em entrevista exclusiva ao Diário Regional, Falcão falou sobre CPI da Covid, cenário econômico e político nacional, além do partido no ABC.

O que motivou sua visita a Diadema?

Vim conhecer o trabalho desenvolvido por Moreni aqui na cidade. O cursinho (preparatório do GEB) completou 25 anos. Foi uma experiência muito boa (a visita). Conversamos sobre a situação do país, de Diadema e do PT.

Como o sr. vê a vitória do PT em Mauá e Diadema nas últimas eleições?

Foi muito positivo esse retorno (ao Executivo) nas duas cidades.

Há a possibilidade, em especial em Diadema, de o PT ter vários candidatos a deputado federal e estadual nas eleições de 2022.

Teremos chapas maiores tanto para deputado federal quanto estadual. É orientação partidária de compormos chapas amplas. Composição étnico-racial e com paridade de gênero, de preferência. Então, estou otimista com a possibilidade de ampliarmos tanto a bancada federal como a estadual. Primeiro porque aquela campanha contra o PT diminuiu muito. Segundo, porque há muita desilusão daqueles que votaram no Bolsonaro e, terceiro, porque vamos ter a candidatura de Lula a presidente e aqui em São Paulo a do Fernando Haddad, que está aparecendo bem nas pesquisas. Isso favorece a ampliação das chapas federal e estadual.

Como o sr. analisa os tra­balhos da CPI da Covid?

Espero que a CPI, com as informações que tem, possa responsabilizar as pessoas que foram lenientes, que atrasaram a compra de vacinas, além de toda essa história da cloroquina, que prejudicou muita gente. Sem falar na falta de compra de oxigênio a tempo lá em Manaus. Todas essas questões têm de ser consolidadas para que seja proposto o indiciamento dos responsáveis. Tem também a questão da corrupção, que agora está sendo avaliada. A compra da vacina com propina, superfaturamento, tudo indica que o relatório ficará pronto em meados deste mês.

Assim que for concluída a CPI da Covid terá a reinstalação da comissão das Fake News. O senador Angelo Coronel (PSD-BA), presidente da CPMI das Fake News, já está anunciando que os trabalhos interrompidos pela pandemia serão retomados. Teremos mais cerca de 180 dias para avaliação.

Como o sr. avalia a situação econômica do Brasil e as declarações do ministro Paulo Guedes e do presidente Jair Bolsonaro em relação a alta do custo de vida?

Há um descontentamento muito grande com o custo de vida. Para você ver, teve agora mais um aumento do gás de cozinha; o arroz subiu 40% este ano, a carne, 28%. A inflação subindo; o desemprego crescendo.

As declarações são de total desprezo. O descaso que houve com a pandemia continuou em relação ao sofrimento das pessoas. Veja a declaração do Guedes de qual “o problema de a energia elétrica subir um pouquinho? Não adianta ficar chorando na calçada”. Hoje até fiz ironia com a frase de Bolsonaro: “idiota, quer comprar feijão? Compra fuzil”. Lembrei da frase atribuída a Maria Antonieta (rainha da França), “não tem pão comam brioches”. Coloquei: “não tem feijão, comprem fuzis”, aí alguém respondeu para mim: “ele podia fazer igual a Maria Antonieta (decapitada). Na realidade é um descaso total com a população. (O Bolsonaro) só pensa em reeleição.

O ex-presidente Lula (PT) aparece à frente nas pesquisas de intenção de votos, tendo Bolsonaro em segundo. Acredita no surgimento de uma terceira que possa combater o possível embate Lula-Bolsonaro?

Primeiro, é falsa a equivalência Lula-Bolsonaro. Lula foi o melhor presidente que o Brasil já teve e tem compromisso sério com a democracia. Já Bolsonaro sempre foi autoritário. Há essa tentativa de criar a terceira via. As pessoas e os partidos têm direito a apresentar candidatura. Porém, não vejo muita possibilidade de surgir essa terceira via a menos que o Bolsonaro seja removido ou por impeachment ou pelos processos que correm no TSE em relação à eleição de 2018.

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