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Rosi de Marco: ‘a pandemia impôs desafios para a Educação, mas também nos possibilitou repensar prioridades’

Rosi: “pegamos cenário desafiador, que com muito trabalho estamos revertendo”. foto: Divulgação
Rosi: “pegamos cenário desafiador, que com muito trabalho estamos revertendo”. foto: Divulgação

A Prefeitura de Ribeirão Pires decidiu postergar para 31 de maio o início das aulas presenciais devido ao alto número de internações, casos e mortes decorrentes da pandemia de covid. Em entrevista ao Diário Regional, a secretária de Educação do município, Rosi de Marco, afirmou que dentro do contexto de sobrecarga do sistema de saúde pública no município e região do ABC e o cronograma previsto para o início da imunização de profissionais da Educação, o governo considerou prudente prorrogar o retorno das atividades presenciais na rede municipal.

Ao assumir Educação, como encontrou a pasta?

A primeira medida tomada por nossa gestão, conduzida pelo prefeito Clóvis Volpi, foi o levantamento detalhado da situação da rede municipal de ensino. Realizamos vistorias técnicas nas escolas e a análise administrativa e financeira da Secretaria de Educação. Os problemas de infraestrutura nas unidades escolares estão entre os principais identificados. Considerando a retomada segura às aulas presenciais neste período de pandemia, quase 90% das 33 escolas municipais não tinham condições de receber alunos e profissionais. Além disso, a equipe gestora da Secretaria e das escolas foi exonerada no final de 2020. Começamos 2021 literalmente do zero, sem planejamento traçado, sem profissionais para liderar os processos de retomada e início deste ano letivo. Um cenário desafiador, que com muito trabalho estamos revertendo.

Quais avanços destaca nestes quase três meses de gestão?

Estabelecemos metas prioritárias e conquistamos importantes avanços de janeiro para cá. Destaco a estruturação de equipe gestora da Secretaria de Educação e das unidades escolares, inclusive com a abertura de edital interno de seleção dos profissionais, que deu oportunidade e valoriza professores da rede municipal. A partir disso, fortalecemos o trabalho pedagógico, olhando especialmente as demandas do ensino remoto, que também está sendo aperfeiçoado. Com base nas vistorias técnicas, iniciamos o Programa de Recuperação das Escolas, que estabeleceu cronograma de melhorias em todas as unidades, seguindo cronograma de prioridades.

A educação é fortemente impactada pela pandemia. Qual análise faz dos prejuízos causados aos alunos, principalmente os menos favorecidos financeiramente?

Os impactos da pandemia e do distanciamento dos alunos das salas de aula têm sido tema central dos debates de nossa equipe. Estudos em todo o mundo indicam que há de fato prejuízo ao aprendizado das crianças no atual cenário. A rede municipal de Ribeirão Pires está atuando com base nas pesquisas e dados disponíveis. Iniciamos em março, por exemplo, a sondagem dos estudantes em fase de alfabetização, do 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental.

O que estamos buscando é o nível efetivo de aprendizado em 2020, quais são as maiores dificuldades e possível defasagens para cada um dos alunos. Esses indicadores nortearão ações pedagógicas para as turmas e individuais. Iniciamos também neste ano o processo de busca ativa dos alunos que têm menos frequência ou participação nas atividades do ensino remoto. Nenhum estudante deve ficar para trás e toda a adequação e adaptação necessária para garantir o aprendizado das crianças estão sendo feitas.

Como a sra. vê o impacto psicológico nos alunos por estarem longe da escola? 

Retomamos as atividades do ensino remoto na rede municipal em fevereiro. As primeiras semanas foram dedicadas ao acolhimento dos alunos e de suas famílias. O foco principal foram as questões socioemocionais. Sabemos que muitos alunos enfrentaram e enfrentam de perto a covid-19, seja por um familiar adoecido ou até a perda de uma pessoa próxima. Também há os impactos econômicos que mexem na estrutura familiar, como o desemprego, a queda da renda. Tudo isso é levado em consideração quando discutimos e planejamos as ações junto aos alunos e também aos profissionais da rede municipal. Estamos atuando para reduzir os impactos da pandemia para toda a comunidade escolar, avaliando, inclusive, os instrumentos garantidos pelo novo FUNDEB, como a contratação de assistentes sociais e psicólogos para nossa rede municipal de ensino.

Há projetos para recuperar os prejuízos causados por esse período?

 Todo o trabalho de sondagem e acompanhamento dos alunos será base para o plano de recuperação de possíveis defasagens de aprendizado. Não poupamos esforços para identificar as necessidades de cada aluno, observando a realidade de cada comunidade escolar. E estamos garantindo melhor estrutura para que este trabalho seja feito. A partir deste ano, por exemplo, ampliamos a carga horária remunerada de 40h para 44h semanais dos professores A, que atuam como titulares nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Essas horas são destinadas ao programa de recuperação escolar já realizado com os estudantes da rede municipal. Esse trabalho deverá ser aprimorado e fortalecido ao longo dos próximos meses.

Qual avaliação a sra. faz do ensino online em Ribeirão Pires? Os pais estão preparados para a função de auxiliar ainda mais os filhos?

 Trabalhamos com o conceito de ensino remoto, que pode ser feito por meio de ferramentas online ou com a retirada de conteúdos impressos nas escolas, para alunos de famílias que não tenham acesso à Internet ou que tenham maior dificuldade em acessar e realizar atividades online. A pandemia impôs desafios para a Educação, mas também nos possibilitou repensar e reavaliar prioridades e o papel dos educadores e da família no processo de aprendizagem das crianças. Sabemos que o cenário impõe dificuldades que muitas vezes a escola não consegue, sozinha, solucionar. Estamos trabalhando para manter o alto nível de participação de alunos e suas famílias nas atividades do ensino remoto. Nosso canal de comunicação com os responsáveis pelos estudantes está sempre aberto para esclarecer dúvidas. Estamos aperfeiçoando as ferramentas utilizadas em nossa rede, sempre com o apoio dos profissionais da Educação, que seguem engajados.

Os professores tiveram de se adaptar ao ensino online. Como o município apoiou os docentes nessa transição tanto em 2020 quanto este ano?

Com a reestruturação das equipes gestoras na Secretaria de Educação e nas escolas, iniciamos em janeiro série de reuniões de trabalho com diretores, professores coordenadores e professores assistentes para conhecer as dificuldades do ensino remoto, quais foram as experiências adquiridas em 2020 e como podemos avançar e melhorar as práticas pedagógicas. Desde então, realizamos formações e o acompanhamento dos profissionais de todas as escolas. O objetivo é garantir o suporte pedagógico e estrutural necessário para que os professores desenvolvam as atividades adotando novas dinâmicas, que sejam mais apropriadas ao ensino remoto, que atendam ao currículo escolar de cada ano/série, para que tenhamos melhores resultados com nossas crianças.

Há algum levantamento das principais dificuldades dos professores?

O trabalho de acompanhamento dos profissionais das escolas inclui sondagens junto aos professores. Em março, por exemplo, a equipe de Orientação Pedagógica da Educação aplicou junto às escolas com Ensino Infantil e Fundamental I questionário sobre desempenho e participação dos professores especialistas de arte, educação física e inglês. Queremos, com isso, identificar as dificuldades desses profissionais e contribuir para que tenham melhor desempenho. Um dos pontos já identificados como uma maior dificuldade é a adaptação dos conteúdos para estudantes com algum tipo de deficiência. Essa dificuldade já está sendo trabalhada por nossa equipe de orientação pedagógica junto à equipe da inclusão escolar dentro do contexto do ensino remoto e, futuramente, para o ensino híbrido.

Qual impacto terá a vacinação dos professores? Acredita na efetividade da medida, já que os alunos não serão imunizados neste primeiro momento?

Nos primeiros dias desse ano, em janeiro, o prefeito Clóvis (Volpi) protocolou junto ao Instituto Butantan o pedido de compra vacinas para imunizar profissionais da Educação das redes pública e particular de Ribeirão Pires. Essa é uma das principais preocupações de professores, agentes escolares, diretores, coordenadores, equipes de limpeza, entre outros funcionários que atuam dentro das unidades. Reconhecemos que é uma preocupação legítima e consideramos que os trabalhadores da educação devem ser grupo prioritário da imunização. O anúncio feito pelo Estado, do início da vacinação da categoria em abril, atende os pleitos feitos pela Prefeitura. Este é um grande avanço. A vacinação é um dos pontos fundamentais para que possamos planejar, de fato, a retomada gradativa segura das atividades presenciais na Educação.

Por que postergaram a volta às aulas para o final de maio? Acredita que na data haverá a possibilidade de retorno seguro?

 O Governo do Estado estabelece diretrizes amplas que por vezes não consideram questões específicas de cada cidade. A Prefeitura trabalha desde o início do ano monitorando o cenário local da pandemia, que infelizmente se agravou em março, como foi amplamente comunicado, com antecedência, às autoridades do Estado e União. O prefeito (Clóvis Volpi) e a equipe da Secretaria de Saúde, liderada pelo secretário Dr. Audrei (Rocha), não medem esforços para garantir a manutenção dos atendimentos para casos covid-19 e solucionar problemas de ordem financeira para ampliação de leitos de internação, por exemplo.

Dentro do contexto de sobrecarga do sistema de saúde pública no município e região do ABC, observando os problemas estruturais que ainda estão sendo solucionados dentro das unidades escolares, e o cronograma previsto para o início da imunização de profissionais da Educação, consideramos prudente prorrogar o retorno das atividades presenciais na rede municipal. Essa medida prioriza a segurança e a saúde de alunos, profissionais e suas famílias. A Educação Municipal não parou. Estamos nos preparando e adotando todas as medidas para o retorno seguro, enquanto seguimos fortalecemos o ensino remoto.

As escolas estão preparadas estruturalmente para o retorno às salas de aula? 

 Os preparativos para a retomada gradativa e segura das atividades na rede municipal estão sendo tomados. Está em andamento o Programa de Recuperação das Escolas. Estamos fazendo reparos e manutenções em telhados, instalações elétricas e hidráulicas, entre outras intervenções. Em algumas unidades, pias e janelas estavam quebrados. Não há como garantir os protocolos sanitários contra o coronavírus com a estrutura precária, e estamos trabalhando para solucionar esses problemas. Estamos adquirindo insumos como termômetros digitais, já comprados com recursos do Programa Saúde na Escola. Todos os cuidados estão sendo tomados dentro de plano de retomada, já traçado para nossa rede municipal.

Em relação às escolas privadas, houve fechamento de instituições por conta do longo período fechadas?

Em relação às escolas particulares, mantemos diálogo aberto com o segmento, inclusive com reunião realizada em março junto ao Conselho Municipal de Educação. Sabemos dos impactos financeiros para as instituições e parte delas, que atua com o Ensino Infantil, tem maior dificuldade em manter atividades remotas. Tudo isso está sendo discutido e avaliado de forma conjunta, com transparência, prezando a segurança de alunos e profissionais da Educação. Mantemos também o diálogo aberto com o Ministério Público. Tivemos reuniões com a promotora Maria Cecília para apresentar todas as ações em andamento feitas pela prefeitura no combate à pandemia e nos preparativos para retomada de atividades presenciais.

 

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