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Ronaldo Lacerda vai ao MP para barrar construção de usina de lixo

Ronaldo Lacerda afirma que projeto que prevê a implementação do equipamento não traz estudo de impactos. Foto: Arquivo
Ronaldo Lacerda afirma que projeto que prevê a implementação do equipamento não traz estudo de impactos. Foto: Arquivo

O candidato ao Exe­cutivo de Diadema pelo PDT, Ronaldo Lacerda, afirmou ao Diário Regional que vai ao Ministério Público (MP) para tentar barrar a lei que, por meio de convênio com a Sabesp, prevê a implementação de uma planta industrial de tratamento de resíduos na cidade. Segundo o parlamentar, a questão do lixo merece profundo debate não só em Dia­dema, como em todo o ABC.

“De uma hora para outra o prefeito (Lauro Michels/PV) veio com projeto para cons­truir uma usina para incineração de lixo. Esse tema estava sendo discutido no Consórcio (Intermunicipal ABC) sobre os rumos que vamos dar na questão do lixo. De repente chega na Câmara esse projeto de lei sobre convênio com a Sabesp, de 45 anos, renovável por mais 45, para construção da usina de incineração, sem nenhum estudo de viabilidade e de impacto ambiental. O projeto simplesmente autoriza a Sabesp a usar o terreno (próximo ao Jardim Amuad) para cons­trução da usina de lixo. Além disso, prevê um novo modelo de cobrança da taxa de lixo, que passa para a conta de água de cada munícipe. Trata também que será analisado o custo de funcionamento, e o que passar (do arrecadado) o município tem a responsabilidade de cobrir”, destacou.

Lacerda afirmou que faltaram informações como a previsão do valor para funcionamento do equipamento e que o município teria de arcar com o custo da planta e da cons­trução da usina. “De repente, no meio da pandemia, veio outro projeto que prevê repasse de R$ 1 milhão para a Sabesp fazer a planta da usina. Ou seja, além de no primeiro projeto não constar nada disso, ainda não previa que teríamos de pagar o custo da construção e da planta. Agora, no Plano Plurianual (PPA) já há previsão de R$ 17 milhões para a construção. Então, como vamos receber uma usina que tem impactos ambientais e na saúde; receber caminhões, treminhões, carretas, tudo isso sem nenhum estudo, nenhum cálculo dos danos que vai causar e ainda pagar a conta?, questionou.

O parlamentar também criticou a falta de manifestação da pasta de Meio Ambiente em relação ao projeto. “Na verdade, 15 vereadores se pautam na tese de que a usina é uma coisa boa para a cidade. Inclusive, o candidato do prefeito (Pretinho/DEM) ao Executivo está fazendo esse discurso de que a usina vai gerar energia. Energia para que? Quem vai ser beneficiado? Como será distribuída?”

Lacerda afirmou que aguarda estudo de impacto da usina para contrapor a defesa do projeto. “É muito preocupante, pois estamos em ano eleitoral. O que esse bolo tem de recheio não sabemos e, por isso, vamos lutar contra. Então, estamos aguardando esse estudo para entrar no Ministério Público e tentar a anulação da lei, mos­trando que está errada e que vai trazer danos irreparáveis para a população”, pontuou.

 O CONVÊNIO

O convênio, que não inclui a coleta (continuará a cargo do município), prevê que o lixo, em vez de ser levado para os aterros, terá como destino planta industrial de tratamento de resíduos, onde será feita a separação de materiais recicláveis, transformando o lixo orgânico em combustível derivado de resíduo (chamado “CDR”). A parte reciclável será destinada a uma Central de Triagem e aproveitada por cooperativas de catadores de lixo. O CDR poderá ser comercializado para abaste­cimento de fornos indus­triais ou ser destinado para a geração de energia elétrica. A previsão é que o projeto entre em operação a partir de dezembro de 2022.

A prefeitura informou, recentemente, que o acordo prevê que a cobrança da taxa do lixo do município mantenha o seu valor atual, sendo transferida da taxa do IPTU para a conta de água e esgoto emitida pela Sabesp. Com o recurso proveniente da taxa, a companhia pretende contratar um operador para fazer a disposição dos rejeitos e a comercialização de recicláveis e do CDR e/ou energia.
À época da assinatura do contrato, o prefeito Lauro Michels (PV) afirmou que “objetivo do contrato é garantir me­lhorias na coleta e destinação dos resíduos domésticos, ade­quando o município às novas políticas de destinação, dando fim ao encaminhamento de resíduos à aterros sanitários”.

 

PDT de Diadema descarta acordo com PSB para
primeiro turno

O presidente do PDT de Diadema, Roberto Holanda, descartou qualquer tipo de acordo com o PSB, que tem como candidato ao Executivo o vereador Marcos Michels, visando às eleições. “Primeiramente, temos nossa chapa, que é pura, com o vereador Ronaldo Lacerda a prefeito e o Professor Fábio Júnior a vice. Outra questão é que somos de esquerda. Então, nosso alinha­mento é com partidos que têm ideologias semelhantes às nossas. Não podemos fazer acordo com um partido que está na base do governo. Vai de encontro a tudo acreditamos e defendemos”, destacou.

Holanda afirmou que, em eventual segundo turno, o posicionamento do PDT será estar ao lado de partidos de esquerda. “O PSB mudou muito. Hoje, por exemplo, há representantes da cúpula participando de eventos ao lado de bolsonaristas. Então, houve distanciamento da essência. No PDT somos pelo trabalhador, pela população; brizolistas (defensores das ideias de Leonel Brizola) na essência.”

Ronaldo Lacerda ponde­rou que existem conversas com todos os partidos, mas que o PDT tem chapa conso­lidada. “Tenho muito respeito pela pessoa do Marcos Michels. Porém, está descartada qualquer mudança. Seremos eu e o Fábio Junior representando o PDT.”

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