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Rompimento de barragem deixa sete mortos e 150 desaparecidos

Rompimento de barragem deixa sete mortos e 150 desaparecidos
Barragem acumulava 12,7 mi de m³ de rejeitos de minério. Foto: Alexandre Rezende/Folhapress

Barragem da mina Feijão, da mineradora Vale, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, se rompeu na tarde de sexta-feira (25), atingindo a área administrativa da empresa e a comunidade da Vila Ferteco. O rompimento, que fez o país relembrar da tragédia em Mariana, ocorrida em 2015, pode resultar em perdas humanas ainda maiores. Segundo o governo de Minas, há sete mortos e cerca de 150 pessoas desaparecidas; outras 279 foram resgatadas com vida. Bombeiros socorreram cinco feridos e os encaminharam ao Hospital João 23, em Belo Horizonte.

Construída em 1976, a barragem 1 da Vale acumulava 12,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério e não recebia material havia três anos. Não há informações sobre a causa do acidente.

Nas ruas de Brumadinho, o desespero podia ser visto nas ruas. Parte dos moradores teve de deixar suas casas, parte saiu em busca de informações de familiares e amigos. Ao lado do desespero, houve também solidariedade: vizinhos abriram suas casas e muitos se ofereceram como voluntários no socorro às vítimas.

Recém-chegado de Davos, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, admitiu que, apesar de o dano ambiental ser menor do em Mariana, o humano será maior. “Os mais afetados serão os nossos funcionários”, afirmou, citando que a barragem fica em uma zona rural, com baixa densidade populacional. Após o acidente, as ações da Vale negociadas nos Estados Unidos caíram cerca de 10%

Logo após o rompimento, o presidente Jair Bolsonaro lamentou a tragédia em sua conta do Twitter e informou que três ministros seguiriam para Brumadinho. O go­verno federal organizou um gabinete para acompanhar a crise e determinou o imediato envio de tropas militares de Juiz de Fora para a região atingida.

Três anos após o rompimento da barragem da Samarco que destruiu o distrito de Bento Rodrigues, também em Minas, a Lei de Segurança das Barragens, que endureceria a fiscalização e a punição aplicada às empresas no caso de acidentes, não foi aprovada. O promotor de Justiça Gui­lherme de Sá Meneghin, que atuou no caso, afirmou que o novo rompimento está longe de ser uma surpresa e não se pode falar em acidente. “Esse modelo de barragem está sujeito ao desastre”, disse.

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