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Rodrigo Maia confirma candidatura e pede votos ao PMDB

Depois de um mês inteiro de campanha sem admitir sua candidatura à reeleição, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), confirmou publicamente ontem (31), pela primeira vez, que é candidato. Maia, assim como Jovair Arantes (PTB-GO), foi convidado a discursar em uma reunião da bancada do PMDB. O presidente da Câmara disse que oficializará sua candidatura apenas no último dia, hoje (1º), véspera da eleição.

“Estou aqui, hoje, pedindo a cada um de vocês a reflexão, o voto, para que, junto com o presidente Michel Temer, que em hipótese nenhuma, em momento nenhum, haverá da minha parte, como nunca houve, uma relação de hostilidade, mesmo quando a minha opinião seja divergente da opinião do presidente Michel Temer, a minha relação com o governo será sempre de harmonia. Por meio do diálogo e da harmonia vamos chegar a 2018 com a economia crescendo, com o emprego crescendo e com a política fortalecida”, disse Maia.

A recondução de Rodrigo Maia é apoiada pelo Palácio do Planalto, que, oficialmente, afirma não estar atuando na escolha do próximo presidente da Câmara para evitar um racha na base aliada do governo. O democrata chegou à reunião cumprimentando cada um dos deputados do PMDB, que tem 64 parlamentares na Câmara, a maior bancada da Casa.

Maia disse ter apoio da maioria dos partidos da base governista -ao menos dez legendas- e de ao menos um partido da oposição, o PC do B. Os apoiadores do democrata devem se reunir em um bloco, o que garante a eles preferência na escolha de lugares na Mesa Diretora.

Aos deputados, Maia disse entender ter conseguido, durante os últimos seis meses, quando esteve no comando da Casa, “harmonia” para “construir junto com o Poder Executivo as reformas que o Brasil tanto precisa para sairmos de uma crise nunca vista antes na história deste país”. “Sou líder dessas reformas se assim for a decisão da maioria, na quinta-feira, com muito orgulho”, afirmou.

Ataques

Em 11 minutos de discurso, Maia falou dos ataques “não apenas ao Parlamento, mas à democracia representativa” e prometeu discutir, além das reformas econômicas propostas pelo governo, questões como reforma política, alterações no Regimento Interno da Câmara e o pacto federativo.

Maia também defendeu a autonomia do Legislativo perante a Justiça e o governo. “Precisamos de um Parlamento que seja forte não apenas no discurso, mas nas suas práticas, onde nossas prerrogativas não sejam retiradas pelo Poder Judiciário ou mesmo pelo Executivo”, afirmou, criticando decisões de juízes de primeira instância, como aquele que o proibiu de disputar a eleição, mas teve sua sentença derrubada na segunda instância. A Constituição e o Regimento Interno da Câmara vedam a reeleição do presidente da Casa em uma mesma legislatura.

PT

Após forte reação interna contra a possibilidade de apoio a um candidato da base de Michel Temer, a bancada do PT anunciou ontem (31) adesão à candidatura do oposicionista André Figueiredo (PDT-CE) à presidência da Câmara.

Petistas chegaram a avaliar apoiar a reeleição de Rodrigo Maia com o objetivo de obter cargos na administração da Casa, mas prevaleceu a tese de que o partido não poderia endossar nomes que integraram o movimento contra Dilma Rousseff.

Maia é o favorito e tem o apoio de ao menos dez legendas. Os demais concorrentes são Jovair Arantes (PTB-GO), Rogério Rosso (PSD-DF), Júlio Delgado (PSB-MG) e Figueiredo, o único até agora da oposição.

Essa lista pode aumentar até as 23h desta quarta (1º), prazo final para o registro das candidaturas.
Adversários de Maia apresentaram questionamentos ao STF com base no argumento de que a Constituição veda a reeleição do presidente da Casa em uma mesma legislatura. Maia alega que a regra não se aplica a quem se elegeu para um mandato temporário, que é o seu caso.

Os questionamentos foram protocolados também na Mesa da Câmara e devem ser analisados no dia da eleição por Waldir Maranhão (PP-MA), primeiro vice-presidente da Casa, aliado de Maia.

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