Arte & Lazer, Música

Roda de samba do Império Serrano emociona em velório de Dona Ivone Lara

O velório da sambista Dona Ivone Lara, que morreu na madrugada desta terça-feira (17), aos 97 anos, teve samba e cerveja.

O corpo foi velado na quadra do Império Serrano, escola do coração de Dona Ivone, em Madureira, na zona norte do Rio.

Integrantes da escola fizeram uma roda de samba ao lado do caixão. Em coro, a quadra cantou sucessos da compositora, como “Sonho Meu” (“Sonho meu, sonho meu / Vai buscar quem mora longe, sonho meu”),

“Acreditar” (“Acreditar, eu não / Recomeçar, jamais / A vida foi em frente / você simplesmente não viu que ficou / Pra trás”) e “Alguém Me Avisou” (“Alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho”).

A cantora Alcione veio prestar homenagem. “Vim agradecer a Dona Ivone por ter existido”, disse ela.

Alcione comentou também o pioneirismo de Dona Ivone como mulher compositora: “ela já nasceu empoderada.”

O ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (DEM), que é grande apreciador de samba, também esteve no velório.

“Estou aqui como amigo e admirador. Eu às vezes ia na casa dela cantar um pouco. É uma pessoa que sempre foi uma ídola minha”, disse o ex-prefeito.

A Portela, outra escola tradicional de Madureira, divulgou nota chamando dona Ivone Lara de “patrimônio do Império, da Portela e da cultura brasileira”. Considerada um dos maiores nomes da música popular brasileira em todos os tempos, a cantora sempre foi muito ligada também aos compositores da Portela. Era grande amiga de Candeia, Monarco e Paulinho da Viola, por exemplo.

O sambista Dudu Nobre usou o seu perfil no facebook para homenagear a artista. “Obrigado por tudo dona Ivone Lara. As bênçãos, os ensinamentos,as conversas, os sambas, a poesia. Descanse em paz, Grande Dama do Samba”.

Dona Ivone

Nascida em 13 de abril de 1921, no Rio de Janeiro, dona Ivone Lara compôs seu primeiro samba aos 12 anos, “Tiê, tiê“, depois de ganhar de seus primos um pássaro da espécie tiê.

Aprendeu a tocar cavaquinho com o tio  Dionísio Bento da Silva, que tocava violão de sete cordas e integrava o grupo de chorões que reunia Pixinguinha e Donga.

Sua primeira escola de samba foi a Prazer da Serrinha, que começou a frequentar em 1945 e para quem compunha sambas que eram assinados pelo seu primo Fuleiro, devido ao preconceito contra as mulheres que existia nas agremiações naquela época.

Enfermeira e assistente social, trabalhou com pacientes que tinham doença mental. Ingressou na Império Serrano em 1965 e gravou seu primeiro disco, “Samba minha verdade, samba minha raiz”, em 1974. Ao se aposentar da área da saúde em 1977, passou a se dedicar integralmente à música.

Entre suas composições mais conhecidas estão Sonho meu e Acreditar, ambos em parceria com Délcio Carvalho.

A sambista foi enterrada nesta terça-feira, no cemitério de Inhaúma, na zona norte do Rio.

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