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Rocha: ‘Ribeirão Pires vive todo dia uma guerra pela vida’

Audrei Rocha: “o governo todo está voltado à salvar vidas”. Foto: Divulgação
Audrei Rocha: “o governo todo está voltado à salvar vidas”. Foto: Divulgação

“Ribeirão Pires vive cenário diário de guerra. Cenas que a gente vê em filmes e acredita que nuca vai acontecer na sua vida agora ocorrem.” É com essa frase que o secretário de Saúde do município, Audrei Rocha, define a situação da área da saúde cidade, que está com taxa de ocupação de leitos de terapia intensiva para covid em 100% e corre o risco de ter de fechar o hospital de campanha por falta de recursos.

O município contabilizava, nesta quinta-feira (25), 202 óbitos por coronavírus, dos quais 23 na fila de espera por leito no sistema Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde), do governo do Estado, além de 4.439 casos confirmados da doença. Segundo o secretário, com a alta expressiva de casos, nos últimos 15 dias a cidade chegou a ter 18 pacientes com covid internados na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e o hospital de campanha lotado.

“Beiramos o caos aqui no município, de ter de atender paciente na rua”, afirmou Rocha em entrevista exclusiva ao Diário Regional, ao destacar que nos últimos dias houve redução na procura por atendimento. Porém, afirmou que ainda não é possível identificar se essa diminuição é pontual ou se a população está buscando atendimento em outras cidades.

Rocha destacou que o governo Clóvis Volpi vem criando alternativas, ferramentas e recursos humanos para dar conta da demanda, além de reduzir os riscos de contaminação. Entre as alterações, o secretário citou a abertura das dez Unidades Básicas de Saúde (UBS) para pronto atendimento, redução de consultas agendadas em 50%, para que os médicos pudessem atender pacientes com doenças que não fossem síndrome gripal.

“Também estamos preparando o Hospital São Lucas para, caso necessário, ser uma terceira via, seja para atendimento de covid ou outras doenças. Estamos verificando (a necessidade). Porém, está pronto o projeto que quando o paciente chega na UPA vai para triagem, o médico avalia e, caso não seja covid, terá um carro para levar o paciente ao São Lucas. Destaco que o hospital não será porta aberta. Será via UPA”, pontuou.

O secretário destacou que como a contaminação por covid tem se dado rapidamente, foi criado um serviço exclusivo para a pediatria. “O prefeito estava muito preocupado com as crianças, em especial no momento que tivemos 18 pacientes dentro da UPA contaminados, o que não poderia acontecer, porque é local de transição. Então, foi criada a UPA pediátrica dentro do próprio espaço, em ambiente totalmente diferenciado, com enfermagem própria para crianças. É outra porta de atendimento. Estamos abrindo vários leques a pedido do prefeito, que não está medindo esforços.”

LEITOS

Ribeirão Pires aguarda recursos estaduais e federais para abertura de mais vagas. Segundo Audrei Rocha, a cidade solicitou a abertura de dez novos leitos de UTI para o hospital de campanha, cuja continuidade é incerta até o momento. “O governo do Estado autorizou, só que não depositou a verba para que pudéssemos fazer o investimento nos equipamentos necessários. Estamos esperando que o governo estadual faça esse repasse. Ribeirão Pires foi a única cidade do ABC que não recebeu esse repasse até o momento. Já que existe um Cross que não está dando suporte para os munícipes da cidade, temos de gerar nossos próprios leitos para amenizar a situação. Também estamos aguardando do governo federal uma verba em torno de R$ 2 milhões, mas até agora ninguém se manifestou.”

Para que o hospital de campanha de Ribeirão continue aberto, já que o convênio com o Estado se encerrou no fim de fevereiro, o Consórcio ABC se prontificou a emprestar recursos que possibilitariam sobrevida de mais 30 dias ao equipamento. Segundo o secretário, devido aos trâmites burocráticos essa verba ainda não chegou, mas a transferência deve ocorrer nos próximos dias. “Quando envolve administração pública nada é tão rápido. Porém, o prefeito Paulo Serra (presidente do Consórcio) fez o compromisso com nosso prefeito e deve acontecer nos próximos dias.”

Rocha destacou que por conta da falta de auxílio financeiro, o prefeito vem tomando decisões diárias, mas que pela vontade e empenho de Volpi o hospital de campanha continuará aberto. “Tenho certeza de que vai utilizar até o último centavo do tesouro com os munícipes. O prefeito está na mesma situação que o colega médico, tem na mesa dele o que é para pagar e o que é para salvar vidas. Ele está escolhendo salvar vidas neste momento”, afirmou.

Cidade busca alternativas à falta de insumos para intubação e de oxigênio

O risco de escassez de oxigênio e insumos para intubação de pacientes com covid no Brasil é uma realidade. Em Ribeirão Pires, o secretário de saúde, Audrei Rocha, afirmou que a cidade ainda tem oxigênio, apesar de a situação não estar confortável. A White Martins ficou de instalar um tanque na cidade no último sábado, mas por conta da demanda acabou não realizando o serviço. Porém, segundo o secretário, a empresa se comprometeu a não vai faltar oxigênio até o final de instalação desse tanque.

“Já no hospital de campanha o prefeito sinalizou queria abrir mais 20 leitos e a White Martins disse que não tinha condições de fazer aditivo contratual pela condição que está o país”, destacou.

Com relação aos kits de intubação, segundo o secretário, estes já começaram a acabar. Porém, destacou que o governo municipal mantém conversas diárias com os fornecedores, que se comprometeram a entregar os insumos nos próximos dias. “É uma falta generalizada. Porém, as equipes médicas e farmacêuticas já estão estudando alternativas também, para que a pessoa que necessitar do tratamento não fique na mão. É uma guerra por dia. Não dá para fazer uma projeção em longo prazo até mesmo pela situação. O que é certo pela manhã à tarde muda.”

DOAÇÕES

O secretário faz questão de agradecer todas as empresas que estão fazendo doações ao município. Segundo Rocha, a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) doou pouco mais de meio milhão de reais para a saúde. “Só de respiradores foram nove, além de inúmeros insumos de UTI, o que trouxe uma qualidade muito boa de atendimento. O Grupo Feital doou um aparelho de hemodiálise, juntamente com um equipamento de osmose reversa, que também é outro presente que vai ficar no hospital de campanha, mais de R$ 100 mil. Temos empresas que nos apoiam com luvas e máscaras. É a sensibilidade com a dor do próximo, respeito com os nossos profissionais da saúde, para que não faltem insumos. Para que a gente consiga salvar vidas. Então, agradeço a essa comunidade de empresários, até porque não sabem como é grande essa doação para nós que estamos dentro do contexto, porque isso facilita nosso dia a dia.”

Segundo Rocha, todo o governo está voltado para salvar vidas. “No dia que chegaram os três primeiros respiradores, ninguém sabe, mas eu tive de pegar o o aparelho e voltar correndo porque dentro da UPA precisava intubar mais um paciente, não tinha equipamento e o médico estava ‘ambuzando’ (ventilar manualmente pacientes por meio de uma bomba) na mão. É o prefeito, são os secretários, todos voltados para salvar vidas. É uma operação de guerra. Não me sinto sozinho quanto secretário. É a prefeitura inteira sensibilizada para salvar vidas.”

Secretário de Saúde defende o isolamento social contra a alta de casos de coronavírus

O secretário de Saúde de Ribeirão Pires, Audrei Rocha, defende que a população fique em casa neste momento de recrudescimento da pandemia. Ribeirão Pires, assim como os demais municípios do ABC, decretou feriado a partir de hoje (27) até 4 de abril.

Rocha destacou que as novas cepas de covid levaram a casos mais graves da doença. “A equipe de contingência estava avaliando o caso em que o paciente tinha 25% de comprometimento (do pulmão) no primeiro dia. Entramos com medicamento, no terceiro dia subiu para 50%, foi intubado na sequência e depois veio a óbito. Em uma semana você perde o paciente mesmo entrando com medicação”, disse.

Para Rocha, a população precisa se sensibilizar com a dor do próximo, já que apesar dos pedidos, das ações de conscientização e dos decretos que ampliam as restrições, as pessoas continuam saindo nas ruas e fazendo festas. Segundo o secretário, houve um casamento clandestino que teve mais de oito infectados, sendo que um veio a óbito e um está entubado.

“Nosso medo é ter de atender a população na porta da UPA. As pessoas precisam se sensibilizar com a dor do próximo. Já que ela pode ser o próximo. Gostaria que todos pudessem ver o que vemos dentro dos hospitais. Você conversa com o paciente hoje – gosto de levar uma mensagem de apoio a quem está internado porque ele não recebe visitas – e muitas vezes ele descompensa tão rápido que no dia seguinte veio a óbito.   É assustador. Então, falo para a população: se sensibilize com a dor do próximo, porque a dor do próximo pode ser a sua e fique em casa.”

Sobre o novo espaço para atendimento de covid criado pela cidade, o secretário afirmou que está pronto e equipado, mas que a esperança é de não ter de utilizá-lo. “Sei que está difícil, muito difícil, mas quero pedir para as pessoas ficarem dentro de casa. Sei que todos estão sofrendo, mas isso tudo vai passar. É uma transição. Acredito que dentro deste ano vamos controlar essa doença. É uma doença que se você ficar dentro de casa agora terá uma vida inteira para curtir depois. A irresponsabilidade não ataca mais só você. Pode atacar seu irmão menor, sua avó e seu primo. A doença hoje não tem mais uma faixa etária. Já perdemos jovens no município com 20 anos. Temos caso de criança com um ano e dois meses com covid positivo. Temos nos hospitais da região neonatos com covid. Que as pessoas tenham a consciência de que o vírus está atacando todo mundo”, destacou.

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