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Restrição no WhatsApp não impede desinformação política

Desde o início do ano, o WhatsApp restringiu o limite de encaminhamentos no aplicativo, em uma tentativa de frear a disseminação de conteúdo enganoso na plataforma. Os usuários só podem reenviar mensagens para cinco destinatários de cada vez. No entanto, uma nova pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta que, embora a medida possa diminuir significativamente a velocidade com que as mensagens se espalham nos grupos do aplicativo, a restrição não é efetiva no combate à propagação de campanhas de desinformação virais.

Os pesquisadores do Departamento de Ciência da Computação da UFMG rodaram simulações que mostram que o limite de encaminhamento atrasa a propagação de informação por meio da rede de grupos públicos do WhatsApp. Ainda assim, isso não impede que os conteúdos disseminados cheguem a uma larga porção dos usuários.

“Dependendo da ‘viralidade’ do conteúdo, os limites (de encaminhamento) não são eficientes em prevenir que uma mensagem atinja toda a rede (de usuários) rapidamente”, afirmam os autores. “Campanhas de desinformação encabeçadas por equipes profissionais com interesse em afetar o cenário político podem tentar criar conteúdo falso muito alarmante, que tem alto potencial de viralizar.”

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram mais de 6,4 mil grupos públicos de WhatsApp do Brasil, da Índia e da Indonésia. Eles observaram, durante o período eleitoral de cada país, como essas unidades se organizavam e como as mensagens se disseminavam de um espaço para outro.

Ao contrário dos grupos privados, em que se conectam apenas pessoas que já se conhecem, os grupos públicos permitem a aproximação de pessoas distantes socialmente. Apesar de existirem em número menor que os canais privados, os grupos públicos serviram como ferramenta para mobilização nas eleições.

Os autores da pesquisa estruturaram estes espaços públicos como uma rede, ligando grupos que tivessem usuários em comum. Quanto mais usuários em comum, maior a conexão. Ao mesmo tempo em que o WhatsApp permite a transmissão de informação em larga escala, as mensagens enviadas são criptografadas, o que garante anonimato aos usuários. Segundo os pesquisadores, esse paradoxo é um prato cheio para os disseminadores de conteúdo falso.

Viagem

Os pesquisadores usaram ferramentas para salvar o conteúdo compartilhado de grupos dedicados à discussão política e coletaram dados para cada país de 60 dias antes das eleições a 15 dias após as votações. Analisaram imagens compartilhadas, capturando 103.031 delas no Brasil, 44.731 na Índia e 2.384 na Indonésia. A maior parte (80%) foi compartilhada só uma vez, mas imagens populares apareceram mais de 100 vezes. A análise mostrou que a discussão no WhatsApp é efêmera: a maioria das imagens (80%) era compartilhada só por dois dias. No Brasil e na Índia, 40% disso ocorria em um dia. Assinam o artigo Philipe de Freitas Melo, Carolina Coimbra Vieira, Pedro Vaz de Melo e Fabrício Benevenuto, da UFMG, e Kiran Garimella, do Instituto para Dados, Sociedade e Sistemas do Instituto de Tecnologia do Massachusetts (EUA).

Em nota, o WhatsApp informou que, “como o estudo aponta, os limites de encaminhamento reduziram a velocidade com que conteúdos problemáticos podem ser compartilhados, como era a intenção”. “Esse limite reduziu o número total de mensagens encaminhadas no WhatsApp em 25%.”

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