Política-ABC, São Bernardo do Campo, Sua região

Restos a pagar herdados por Morando sobem para R$ 196 milhões

Morando destacou medidas de austeridade implementadas que visam garantir a prestação dos serviços. Foto: Divulgação/PMSBC

O prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), atualizou ontem (26) balanço financeiro do município, no qual revela aumento de R$ 143,4 milhões para R$ 196 milhões o total de restos a pagar deixados por seu antecessor, Luiz Marinho (PT).

Revelados ontem durante entrevista coletiva concedida no Paço, os dados apresentados pelo secretário de Finanças, José Luiz Gavinelli, mostram também substancial aumento do endividamento da cidade de 2009 a 2016, período que compreende os dois mandatos de Marinho. Nesse intervalo, a dívida consolidada do município saltou de R$ 289 milhões para R$ 1,2 bilhão.

Em termos nominas, o avanço é de 315%. Descontada a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, o aumento é de 151,6%. No período, o IPCA variou 65,1%.

O levantamento – que com­parou a situação herdada por Morando com a deixada pelo antecessor de Marinho, William Dib (então no PSB, atualmente sem partido) – revela ainda aumento de outras dívidas. Um salto considerá­vel é o do débito com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A Prefeitura devia R$ 19,7 milhões há oito anos, mas a gestão petista elevou o “rombo” com a empresa para R$ 121,5 milhões (al­ta nominal de 516%).

Diante da situação adversa, Morando previu que a recuperação financeira dependerá da adoção de política de austeridade. “O quadro financeiro é grave, mas vamos buscar a recuperação com austeridade nos gastos, implementada desde o primeiro dia de gestão”, disse.

Entre as medidas adotadas pelo tucano estão a devolução dos carros oficiais para a locadora, o contingenciamento de 30% do orçamento, a revisão em contratos e dívidas deixados pela ad­ministração anterior e o corte de 30% no preenchimento de cargos comissionados.

Além do aumento no endividamento, a gestão anterior deixou os cofres vazios. A disponibilidade financeira da prefeitura com os bancos mostrou saldo de R$ 2,9 milhões para investimentos, pouco mais de 1% dos restos a pagar. Quando o governo petista iniciou sua gestão, o extrato bancário era positivo em R$ 84,9 milhões.

O tucano revelou que, devido ao endividamento elevado, a prefeitura não pode contrair empréstimos junto à Caixa Econômica Federal. “Nosso rating (classificação de risco) é zero”, afirmou o tucano, ressaltando que o município não poderá fazer investimentos enquanto a situação fiscal não melhorar.

Mesmo assim, Morando garantiu que os serviços não serão afetados. O tucano, porém, disse que não haverá distribuição de uniforme escolar este ano, já que a gestão petista não fez licitação.

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