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Renda domiciliar caiu 23% na Grande São Paulo em 2020

Renda domiciliar caiu 23% na Grande São Paulo em 2020
Estudo da Fundação Seade mostra que trabalhador que recebeu auxílio emergencial perdeu mais renda. Foto: Divulgação

A pandemia de covid-19 afetou fortemente o mercado de trabalho na Região Metropolitana de São Paulo. Menos ocupações, mais desemprego e mais desalento são expressões da crise sanitária iniciada em março do ano passado. Este processo afetou também o padrão de remuneração do trabalho e, em consequência, a renda das famílias.

Estudo divulgado nesta segunda-feira  (2) pela Fundação Sistema Es­tadual de Análise de Dados (Seade) revela que, na passagem de 2019 para 2020, a renda média do trabalho caiu 8% em termos reais (descontada a inflação do período) na Grande São Paulo.

Essa queda ocorreu para todos os segmentos populacionais e todas as formas de inserção no mercado de traba­lho metropolitano. Somados os decréscimos da ocupação e da renda do trabalho, o impacto sobre a renda domiciliar per capita foi forte, de 23% no período. Como consequência, mais da metade das famílias residentes na RMSP dispôs de renda menor em 2020 do que em 2019.

A redução da renda do tra­balho foi generalizada. Porém, os ocupados que se mantiveram no mesmo trabalho entre 2019 e 2020 tiveram perdas reais de 9,9%, enquanto entre aqueles que mudaram de emprego a queda foi quase o dobro (-18,1%).

Por posição na ocupação, as re­du­ções foram muito maiores entre os que trabalhavam por conta própria em 2019 e em 2020, cujo rendimento real decresceu 15% em apenas um ano. O rendimento dos que permaneceram em postos assalariados também diminuiu no período, mas menos inten­samente (-7%). Em decorrência, a diferença de remuneração entre os dois segmentos aumentou, com a renda dos conta própria 26% menor do que a dos assalariados, diferença que correspondia a 19% em 2019.

FAMÍLIAS

A renda das famílias residentes na Grande São Paulo foi afetada por dois movimentos desfavoráveis em 2020: de um lado, a diminuição no número de ocupados, da ordem de 1,37 milhão de pessoas; do outro, a generalizada redução da renda do trabalho. O resultado foi uma queda de 23% na renda domiciliar per capita, que passou de R$ 1.614 para R$ 1.242 por pessoa entre 2019 e 2020.

As famílias que receberam o auxílio emergencial já tinha­m renda per capita menor em 2019 e foram mais afetadas pela crise em 2020. Sua renda média por pessoa diminuiu 25%, chegando a R$ 779, menos da metade da renda per capita das famílias que não re­ceberam o auxílio (R$ 1.680).

Esta redução fez com que, em 2020, 59% das famílias residentes na RMSP tivessem renda per capita menor do que em 2019. Esse empobrecimento deveu-se à redução na parcela de famílias com renda igual ou maior do que um salário mínimo per capita.

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