Arte & Lazer, Exposição

Rejeitado pelo Masp, acervo de obras asiáticas é doado a museu de Curitiba

Uma coleção de 3.000 obras asiáticas reunidas pelo diplomata Fausto Godoy, cuja doação foi rejeitada pelo Masp em 2017, faz parte agora do Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba.

Godoy não comenta o valor que teria o conjunto de peças, que ele começou a colecionar na Índia, em 1984, e que a diretora do MON, Juliana Vosnika, estima ser o maior acervo de arte asiática na América do Sul.

“Eu nunca quis saber o valor da coleção, sobre essa maluquice eu não me importo”, diz o diplomata.

A coleção esteve durante três anos alocada na reserva do Masp. Segundo Godoy, o argumento para a recusa foi de que ela não refletia as linhas curatoriais da nova gestão do museu.

O atual corpo curatorial do Masp tem privilegiado exposições que vão no sentido de recuperar artistas nacionais, como Agostinho Batista de Freitas e Teresinha Soares, que tiveram exposições em 2017, e eixos temáticos, como o das histórias afro-atlânticas, no qual se insere as mostras de Aleijadinho e Maria Auxiliadora presentemente em cartaz no museu da avenida Paulista.

“Acredito que o museu queira focar mais na linha ocidental”, resume o diplomata em entrevista.

No período em que as obras estiveram no Masp, conta Godoy, algumas delas sofreram danos. Segundo o diplomata, elas se deterioraram por terem sido guardadas em um espaço improvisado. Ele diz, contudo, que não sofreu qualquer prejuízo, pois o museu arcou com os custos de restauro.

“Sou agradecido ao Masp porque, durante um período, preservaram a coleção toda”, disse o curador.

Para ele, a recusa do Masp acabou trazendo a possibilidade de jogar luz sobre uma instituição de fora do eixo Rio-São Paulo, que concentra os espaços culturais mais relevantes do país. “São Paulo e o Rio de Janeiro concentram tudo que é importante. Tem que descentralizar o Brasil”, diz.

LINHA CURATORIAL

Com 15 anos, o Museu Oscar Niemeyer é considerado uma instituição nova –o Masp, por exemplo, completou 70 anos em 2017.

A diretora afirma que, nos últimos dois anos, o museu passou a ter um programa de patronos, que fazem doações a um fundo destinado a aquisições de obras para o museu.

A mudança promoveu também a introdução de um programa curatorial, no qual ficou decidido que o museu deixaria de lado uma perspectiva eurocêntrica.

Segundo Juliana Vosnika, a ideia era privilegiar, em primeiro lugar, a arte paranense especificamente e a arte brasileira em geral; em um segundo momento, a arte latino-americana; e, por fim, a arte africana e a asiática.

A doação de Fausto Godoy, entretanto, viria a modificar esses planos. “Foi uma conquista muito grande para o museu, já que nosso acervo foi de 4.000 para 7.000 obras”, diz Vosnika.

O museu se comprometeu, entre outros aspectos, a ter obras da coleção em ao menos 1 das 12 galerias do espaço. A primeira exposição, “Ásia: a Terra, os Homens, os Deuses”, em cartaz até o fim do ano, conta com cerca de 200 peças.

Godoy assina a curadoria com Teixeira Coelho, que era curador-adjunto do Masp na época em que o museu paulistano recebeu as peças de Godoy -o diplomata, por sua vez, era membro do conselho da instituição.

Para Teixeira Coelho, a maior dificuldade na curadoria da exposição foi selecionar as obras segundo sua importância, já que se trata de peças que ainda não foram catalogadas.

“Quando se faz, por exemplo, uma mostra de Van Gogh, alguém já fez a catalogação, já datou, já tem uma história e tudo mais”, conta o curador.

Segundo Teixeira Coelho, as peças escolhidas para a mostra no MON são as que traduzem as imagens “visual e simbolicamente mais impactantes da coleção”.

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