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Regionalização e ampliação da reciclagem pode gerar ao menos R$ 25 milhões anuais ao ABC

Regionalização e ampliação da reciclagem pode gerar ao menos R$ 25 milhões anuais ao ABC
Maioria das cidades do ABC adotou programas de reciclagem, mas há diferenças na infraestrutura. Foto: Arquivo/PSA

O atendimento às metas de reciclagem previstas no Pla­no Regional de Gestão Integrada dos Resí­duos Sólidos do ABC, concebido em 2016 pelo Consórcio Intermunicipal, teria impacto econômico de qua­se R$ 25 milhões somente no primeiro ano de adoção.

A estimativa integra estu­do publicado pelo Observa­tó­rio de Políticas Públicas, Em­preendedorismo e Conjuntu­ra da Universidade Municipal de São Caetano (Conjuscs).

Segundo o estudo, o rea­proveitamento de 30,2 mil to­neladas de resíduos sólidos – do total de 826 mil toneladas ge­­radas em 2016 no ABC – garantiria receitas de R$ 16,1 mi­lhões com a venda dos materiais recicláveis. Ou­tros R$ 8,8 milhões vi­riam da redução dos gastos com matéria-prima na indústria.

Para isso, no entanto, o estudo destaca que seria necessário mudar completamen­te o paradigma atual da gestão do lixo nos sete municípios.
Em sua concepção, o Plano Regional baseou-se na Política Nacional dos Resíduos Sólidos, apro­va­da em 2010. Tem como principais di­retrizes a res­ponsabilidade compartilha­da, que prevê o envolvimento da indústria, do comércio e dos consumidores no manejo dos resíduos; e a logística reversa, como é chamada a ado­ção de sistemas de coleta independentes do serviço de limpeza público que garantam o retorno do resíduo à origem (ou seja, à indústria) para ser reaproveita­do ou ade­quadamente descartado.

“Quem será o responsável pela gar­rafa PET depois que a água for consumida? O fabricante, o consumidor? Enquan­to essa responsabilidade não for definida, a garrafa será jo­gada no lixo, e a prefeitura vai pagar para coletá-la, transportá-la e aterrá-la, mas isso não faz o menor sentido, porque a garrafa tem valor econômico. É irracional”, exemplificou Lúcio Flá­vio Freitas, professor de Eco­nomia da Escola de Negócios da USCS e autor do estudo.

No Plano Regional, elabo­rado em parceria com a Fun­dação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, o Consórcio destaca que a maioria dos sete municípios já implementou programas de reciclagem, embora haja diferenças na infraestrutura existente e na taxa de recuperação alcançada. Porém, argumenta que a adoção de sistema regional de coleta seletiva otimizaria recursos técnicos e operacionais, além de aumentar a capacidade de investimento. No prazo de cinco anos após a implementação, a meta é fazer a coleta seletiva de 10,6% dos materiais reci­cláveis e, dessa fatia, recuperar 72%.

Levando-se em conta os custos de implementação, o Plano Regional registraria déficit de quase R$ 13 milhões no pri­meiro ano de operação. Frei­tas entende que esse valor deveria ser compartilhado com a indústria. “Se o fabricante lucra com a reciclagem, já que o resíduo reaproveitado é mais barato do que a matéria-prima ori­ginal, é justo que contribua mais para incentivar a reciclagem”, argumentou.

O professor defende também que o catador seja remunerado pelo serviço que rea­liza. “O catador trabalha de graça e recebe apenas pe­lo reciclável que comercia­liza, mas é preciso reconhecer seu trabalho, já que está na ba­se da reciclagem”, explicou.

DESAFIO

Frei­tas destacou que o ABC tem como principal desafio no médio prazo nessa área o fim da vida útil de seus aterros sa­­nitários. A Central de Tratamento de Santo André – o único público da região – recebe 30% dos resíduos, e o restante é enviado ao aterro particular da Lara, em Mauá. “O aterramento não é a so­lução mais ade­quada do ponto de vista ambiental e econômico. É preciso pensar em algo diferente.”

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