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Quinto maior partido da base de Temer declara oposição à reforma

Coelho, pai do ministro de Minas e Energia, afirmou que o cargo do filho está à disposição. Foto: Deivulgação/Agência SenadoQuinto maior partido da base governista, o PSB se declarou nesta segunda-feira (24) contra as reformas da Previdência e da legislação trabalhista, duas iniciativas prioritárias para o presidente Michel Temer no Congresso. A Câmara dos Deputados se prepara para iniciar nesta quarta (26) a votação da reforma trabalhista, e uma comissão especial que analisa as mudanças na Previdência tem sua primeira votação prevista para o dia 9 de maio.

O senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), pai do ministro de Minas e Energia, Fernando Filho, afirmou que o cargo do filho está à disposição. Se o partido cumprir a ameaça e romper com o governo, a base de Temer na Câmara perderá 35 integrantes, passando de 411 para 376. Para aprovar uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) como a da reforma da Previdência, são necessários ao menos 308 votos.

“Não estamos no governo. É prudente o Planalto começar a contabilizar votos a menos”, disse o vice-presidente de relações governamentais do PSB, Beto Albuquerque. O partido resolveu fechar questão contra as reformas defendidas por Temer. Ou seja, os deputados ficam obrigados a votar de acordo com a orientação do partido no plenário, sob pena de punição.

“Na medida em que as bancadas não respaldam as matérias que são importantes para o governo, é importante deixar o governo à vontade para compor a sua equipe com a aqueles que possam contribuir na aprovação das matérias legislativas”, disse Bezerra Coelho, ao declarar o cargo do filho à disposição.
Temer teme que outros partidos da base governista sigam o PSB, o que ameaçaria a aprovação das reformas.

As bancadas do PTB e do PPS também se mostram divididas em relação às reformas. A projeção de auxiliares e assessores presidenciais é de um placar apertado na votação da reforma da Previdência, com cerca de 320 votos a favor da proposta. Para garantir alguma vantagem, o Planalto espera que pelo menos metade da bancada federal de cada um dos três partidos vote a favor da iniciativa.

Nesta segunda-feira (24), o presidente promoveu reunião com os ministros filiados aos partidos governistas. A ordem foi para que todos os auxiliares com mandato peçam demissão temporária do cargo quando chegar a hora de votar a reforma da Previdência no plenário. Temer também pediu uma ofensiva mais direta sobre a base aliada para reduzir chances de traição. “O presidente entendeu que deveria, no momento oportuno, exonerar todos os ministros que têm atuação de liderança junto às bancadas parlamentares”, afirmou o ministro da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy.

Cargos
Além de distribuir cartilhas a parlamentares para municiá-los em defesa das reforma, o Palácio do Planalto vai reforçar ameaças aos deputados que votarem contra o governo, indicando que poderá tirar cargos de segundo e terceiro escalões, reduzir verbas destinadas a projetos apoiados pelos deputados. As cúpulas dos partidos aliados já foram informadas de que, se houver traição, perderão espaço logo depois da votação da reforma trabalhista, encarada como um teste para a da Previdência.

O presidente pretende fazer discursos públicos para minimizar a posição do PSB. O objetivo é evitar que a decisão da sigla passe mensagem ao mercado e à sociedade de que a fidelidade da base está ameaçada. Apesar da indicação do senador Bezerra Coelho, Temer não pretende afastar o ministro de Minas e Energia agora.

Os oito deputados do PPS se reúnem hoje (25) para definir como lidarão com as reformas defendidas pelo governo Michel Temer. Deputados da sigla criticam a versão atual da proposta trabalhista, mas o comando da legenda na Câmara se mostrou mais maleável com a nova Previdência. “As mudanças abrigadas no relatório melhoram muito o ambiente na bancada”, afirmou o líder do partido, Arnaldo Jordy (PPS-PA). (Folhapress)

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