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Quatro em cada dez lares são comandados por mulheres na Grande São Paulo

Quatro em cada dez lares são comandados por mulheres na Grande São Paulo
Levantamento realizado pela Fundação Seade por ocasião do Dia Internacional da Mulher revela que renda em famílias chefiadas por elas é 27% menor. Foto: Marcelo Camargo/ABr

Levantamento inédito rea­lizado pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) mostra que quatro (39%) em cada dez lares da região metropolitana de São Paulo são comandados por mulheres. No grupo, o arranjo familiar que predomina (46%) é aquele em que elas sustentam os filhos e/ou netos, sem a presença de um cônjuge.

A sondagem – feita por ocasião do Dia Internacional da Mulher, a ser comemorado no domingo (8) – possibi­litou, ain­da, a detecção de disparidade entre a renda das famílias chefiadas por homens e as comandadas por mulheres. Naquelas em que chefes são do sexo feminino, o va­lor é 27% menor.

As rendas per capita também diferem – respectivamente R$ 46/dia e R$ 41/dia –, o que evidencia a face da desigualdade de gênero. Em geral, as mu­lhe­res sustentam suas casas com quantia mensal de R$ 2.646.
Para a coleta de dados, a equipe da Fundação Seade visitou 2.100 domicílios. A aplicação dos questionários foi feita no segundo semestre de 2019.

Com o estudo, verificou-se que, atualmente, as famílias de um casal com filhos e que têm como figura central um homem totalizam 36%. Os casais sem filhos representam 16% e são majoritariamente chefiados por homens. Já os domicílios uni­pessoais – ou seja, de uma só pessoa – equivalem a 15% e são mais comuns entre mulheres.

Os casais com ou sem filhos que têm à frente uma mulher já perfazem 24% do total de famílias. A participação é a mesma para os lares em que mulheres vivem sozinhas, que têm em média 61,4 anos de idade.

A chefe da Divisão de Indi­cadores Sociais da Fundação Seade, Paula Montagner, afirmou que a região metropolitana tem passado por processo de envelhecimento populacional. O fenômeno pode ser identificado quando se observa a idade média dos chefes de família: entre as mulheres, é de 53,8 anos e, entre os homens, de 49,4 anos.

Além disso, quatro em cada dez mulheres que respondem por seus lares têm mais de 60 anos. A parcela de homens nessa faixa etária é inferior, 27%.

Paula acrescentou que, no passado, o salário tinha maior peso na renda das famílias. Ela disse que, nos dias atuais, fontes como pensão, aposentadoria e aluguéis se tornaram importantes para a composição.

O dado é especialmente importante quando se considera que mais da metade (53%) das mulheres chefes de família não têm ocupação profissional, ante 28% dos homens. Por outro indicador, nota-se que o trabalho é a única fonte de renda para 44% das famílias chefiadas por mulheres, contra 59% das chefiadas por homens.

Os dados ajudam a explicar por que as mulheres chefes de família dependem mais do sistema previdenciário. Para qua­se um quinto (19%) dos domicílios com esse perfil, a renda provém exclusivamente de pensões e aposentadorias. Entre mulheres que vivem sozinhas, a parcela sobe para 44%.

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