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Quase metade da água no ABC se perde em vazamentos

Quase metade da água no ABC se perde em vazamentos
Plano Nacional de Saneamento Básico prevê perda de 33% para o Sudeste. Foto: Divulgação

Hoje, 22 de março, é comemorado do Dia Mundial da Água. No entanto, o ABC não tem muito o que celebrar. Os índices de perda das empresas que realizam a distribuição na região chegam a 49,05% de todo o volume tratado. Vazamentos, muitas vezes causados por redes obsoletas e furtos feitos por consumidores que desviam as tubulações, estão entre as causas.

Em Santo André, o índice de perda em 2017 foi de 44,16%, o que representa 32,6 mil metros cúbicos de água. De acordo com o Serviço Municipal de Saneamento da cidade (Semasa), a meta para 2018 é alcançar o índice médio de perdas de 33%, conforme foi definido pelo Plano Nacional de Saneamento Básico para a região sudeste do país.

Em 2017 foi implementado conjunto de ações, como a Operação Caça-Vazamentos, que deu mais agilidade aos reparos e a instalação de válvulas redutoras de pressão (VRPs) em pontos da cidade onde a rede sofria mais com o aumento da pressão, beneficiando as redes públicas e as instalações internas dos imóveis dos usuários. Também foram trocados quase 30 mil hidrômetros com mais cinco anos de uso, medida que atende às normas técnicas e legais ao garantir uma medição mais precisa do consumo dos imóveis.

Outra ação intensificada pela autarquia, e que também visa combater as perdas de água, são as ações de fiscalização aos “gatos” nas ligações de água. Em 2017, foram constatadas 34% a mais de fraudes pelas equipes do Semasa.

Melhor índice

O Sistema de Água, Esgoto e Saneamento Ambiental (Saesa) de São Caetano registrou, em 2017, índice de perdas de 14,15%, o mais baixo do ABC. Em 2007, as perdas chegavam a 32,8%. Entre as ações para combater o problema, a autarquia cita troca de hidrômetros com mais de cinco anos de uso, redução de pressão de água nas redes, que diminuiu os vazamentos e rupturas de tubulação. A meta é chegar a perdas de apenas um dígito ainda em 2018.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), responsável pelo abastecimento em São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra não informou os dados separados por cidades. A empresa declarou que possui o quarto melhor desempenho com relação ao índice de perdas no país, estando abaixo do índice médio nacional de acordo com os dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades. O índice de perdas total da companhia (31,7%) é 7,3% menor do que a média das empresas do país (39%).

Entre as ações de destaque para o combate às perdas na região estão a instalação de válvulas redutoras de pressão (VRP), pesquisa de detecção de vazamentos não visíveis, gestão de pressão, melhorias nas infraestruturas e combate a fraudes em ligações de água. Nos últimos 10 anos, os municípios do ABC demonstram, em média, uma redução nos indicadores de 10%.

O Saneamento Básico de Mauá (Sama) não informou os dados para a reportagem, mas de acordo com informações do SNIS, em 2016 – último ano disponível – a perda foi de 49,05%. De acordo com balanço divulgado em janeiro pela autarquia, a rede de abastecimento da cidade é antiga e apresenta problemas históricos, como falhas e vazamentos. A rede foi herdada da Sabesp quando o município reassumiu o controle do saneamento básico em 1994. De acordo com o balanço, a SAMA consertou, em 2017, 331 vazamentos na rede de abastecimento principal e mais de dez mil vazamentos de ramais, a tubulação que leva a água da rede para as residências.

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