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Puxada pelo setor automotivo, economia da região cresceu 2,2% em 2018

Puxada pelo setor automotivo, economia da região cresceu 2,2% em 2018
Segundo aumento anual consecutivo elevou o PIB
gerado pelos sete municípios para R$ 126,6 bilhões

A recuperação do setor automotivo observada especialmente no segmento de veículos pesados garantiu ao ABC, em 2018, o segundo ano conse­cu­tivo de crescimento de seu Produto Interno Bruto (PIB).

Naquele ano, a riqueza ge­rada pelos sete municípios so­­­mou R$ 126,57 bi­lhões, va­lor 6,0% superior em termos no­mi­nais aos R$ 119,37 bi­lhões obtidos em 2017. Porém, quan­do é aplicado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, 3,75%), que mede a inflação oficial do país, a alta cai para 2,2%.

Os dados foram divulgados on­tem (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que publica os números municipais com dois anos de atraso. Assim, a perda de atividade econômica decorrente da pandemia de covid-19 só será conhecida em 2022.

Em 2017, o PIB da região havia crescido 1,2%, resultado que se seguiu aos tombos ocorridos em 2016 (-1,9%), 2015 (-16,0%) e 2014 (-6,0%). Os dois anos seguidos de alta conseguiram recuperar ape­nas parte das perdas acumuladas no triênio anterior. Assim, a economia dos se­te municípios estava, ao final de 2018, em um nível 20% inferior ao de 2013, o mais al­to da série histórica do IBGE.

CONTEXTO

Em 2018, a economia bra­sileira cresceu 1,8% (resultado revisado duas vezes). O re­sul­ta­do, contudo, foi pre­ju­­di­ca­do pe­la gre­ve dos ca­mi­nho­neiros, pelas incertezas po­­­­lí­­tico-elei­to­rais e pela pio­ra do cenário internacional.

No ABC, a atividade econô­mica foi favorecida em 2018 pela recuperação do setor automotivo, cuja produção cresceu 6,7%, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). No segmento de pesados, de forte presença em São Bernardo (com Scania, Mercedes-Benz e, na época, Ford), o crescimento foi ainda mais expressivo, de 29,3%.

Como resultado, o valor adi­cionado industrial – espécie de PIB do setor fabril – registrou alta de 4,2% naquele ano, para R$ 31,1 bilhões. Além disso, o PIB de São Bernardo foi o que mais cresceu no ABC (9,7% em termos reais), para R$ 50,6 bilhões. Com isso, a cidade subiu da 16ª para a 14ª posição no ranking nacional.

Apesar da alta expressiva da atividade industrial em 2018, é bom lembrar que, entre 2012 e 2015, o PIB fabril da re­gião acumulou queda real de 42,4%, mas só recuperou 15,9% nos três anos seguintes.

“O crescimento do PIB industrial em 2018 não esconde o fato de que, nos últimos anos, o setor perdeu participação na produção de rique­zas do ABC, enquanto os serviços ganharam proeminência”, comentou o economista Ricar­do Balistiero, coordenador do curso de Administração do Ins­tituto Mauá de Tecnologia.

Segundo o IBGE, a indústria respondia por 24,6% da produção de riquezas nos sete municípios em 2018, contra 31,4% em 2010. Na mesma comparação, a “fatia” dos serviços cresceu de 41,2% para 50,5%. Em 2018, o PIB des­se setor teve aumento real de 0,3%, para R$ 63,9 bilhões.

 

Região volta a perder participação no PIB brasileiro

Mesmo com o aumento real de 2,2% em seu Produto In­terno Bruto (PIB), o ABC voltou a perder participação re­lativa na economia brasileira em 2018, pelo oitavo ano consecutivo. A “fatia” da re­gião, que era equivalente a 1,813% em 2017, despencou para 1,807% no ano seguinte.

Caso fosse uma só cidade, o ABC ocuparia, mais uma vez, a quarta posição no ran­king dos maiores PIBs do país em 2018. A Capital paulista encabeça a lista, com 10,2% de participação (R$ 714,7 bi­lhões). Em seguida figuram o Rio de Janeiro (5,2%) e Brasília (3,6%). O ABC está à fren­te de Belo Horizonte (MG), quarta colocada com 1,3%, e Cu­ri­tiba (PR), quinta com 1,2%.

Isoladamente, São Bernar­do é o município do ABC mais bem colocado no ranking do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na 14ª posição, com 0,72% de par­ticipação no PIB nacional. Na sequência figuram San­­to André (30º, 0,41%), Mauá (65º, 0,22%), Diadema (70º, 0,21%), São Cae­­tano (76º, 0,19%), Ri­bei­rão Pires (0,04%) e Rio Grande da Serra (0,008%).

Dos sete municípios, ape­nas São Bernardo e Diadema ele­varam sua participação no PIB brasileiro entre 2017 e 2018: de 0,67% para 0,72% e de 0,208% para 0,209%, respectivamente.

HISTÓRICO

A participação do ABC na produção de riquezas do Brasil era, em 2018, menos da metade do que a registrada em 1975, devido à forte perda de atividade econômica e ao processo de desconcentração industrial do país.

Para se ter uma ideia, a região respondia por 4,72% do PIB brasileiro em 1975. Na prática, significa que, de cada R$ 100 em bens e serviços pro­duzidos no país naquele ano, R$ 4,72 ti­nham como origem os sete municípios. Contudo, após 43 anos, a fa­tia do ABC no “bolo” era de R$ 1,81. Assim, há queda acumulada de 61,7%.

A explicação para a re­dução está no fato de que houve, principalmente na primeira metade dos anos 1990, transferência de empresas do ABC para ou­tras cidades, atraídas por incentivos fiscais oferecidos por Estados e prefeituras em troca de investimentos.

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