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Produção de veículos em outubro é a maior em 12 meses

Produção de veículos em outubro é a maior em 12 meses
Alta de 7,7% confirma reação do setor, mas câmbio e aumento nos preços de insumos ameaçam continuidade

As montadoras de veículos registraram em outubro o maior volume de produção em 12 meses, mas o aumento nos preços dos insumos e o dólar elevado ameaçam a continuidade da recuperação do setor automoti­vo após o forte tombo provoca­do pela pandemia de covid-19.

No mês passado deixaram as linhas de montagem 236,5 mil carros, comerciais leves, cami­nhões e ônibus, segundo balan­ço divulgado nesta sexta-feira (6) pela As­­sociação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O resultado é 7,4% superior ao apurado em setembro (220,2 mil) e o melhor desde outubro de 2019 (288,5 mil).

O desempenho de outubro re­vela que a atividade do se­tor continua acelerada, mas os vo­lumes ainda são baixos se com­parados aos do período ante­rior à pandemia. Prova disso é que, ante outubro de 2019, a produção caiu 18% e, no acumulado dos dez primeiros meses deste ano, recuou 38,5% an­­te o mes­mo período de 2019, pa­ra 1,57 milhão de unidades.

A produção foi puxada tanto pelo aumento das vendas internas, que somaram 215 mil unidades, alta de 3,5% em relação a setembro; como das exportações, que alcançaram 34,9 mil unidades, crescimento de 14,3% na mesma comparação.

No acumulado do ano até outubro, porém, licenciamentos e exportações amargam retração, res­pectivamente, de 30,4% (pa­ra 1,59 milhão de unidades) e de 34,2% (para 241,9 mil).

O presi­dente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, afirmou que, para aliviar custos, as montadoras têm controlado a produção e mantido estoques reduzidos. “Não dá para produzir sem ter a certeza da demanda. A indústria está atendendo aos clien­tes, mas sem exagerar na produção para não ter dinheiro empatado em estoque”, afirmou Moraes, durante entrevis­ta coletiva concedida online.

Os estoques nos pátios das fábricas e nas concessionárias fecharam o mês passado com 132,5 mil unidades, volume suficiente para 18 dias de vendas, abaixo dos 20 dias de setembro.

Moraes afirmou que as montadoras têm dúvidas sobre se o aumento da demanda veio para ficar. As incertezas residem na de­­terioração da situação fiscal do governo, no aumento do de­semprego, na queda substancial da renda e em um eventual recrudescimento da pandemia.

“A gente não sabe se essa recuperação do terceiro trimestre veio para ficar ou é demanda repri­mida”, afirmou. “O fim do auxílio emergencial será um desafio para o país, porque a economia terá de andar com as próprias pernas.”

CUSTOS

Moraes ressaltou ainda que a cadeia automotiva vem sendo afetada por reajuste nos preços de matérias-primas, como o aço, que chega a 40% neste ano. Nas negociações com as montadoras, que consomem 30% do aço produ­zido no país, as side­rúrgicas têm atribuído a alta ao aumento no preço do minério de ferro.

Paralelamente ao aumento nos preços, o setor têm sofrido com a escassez de insumos, que tem provocado interrupções pontuais de produção na ca­deia de suprimentos. Para mitigar o problema, as mon­tadoras têm monitorado os fornecedores em tempo real. “Também estamos operando com horas extras e jornada adicional aos sábados para suprir a demanda”, disse Moraes.

Outra fonte de pressão nos custos é a alta do dólar – que, nas contas da Anfavea, chega a 43% neste ano, com impacto nas importações de peças e de insumos pelos fornecedores.

Como resultado do enca­re­cimento da produção, as mon­tadoras têm reajustado o preço dos veículos em plena pan­demia. “A indústria está tentando repassar o mínimo pos­sível, mas nem sempre consegue evitar. O IGP-M (índice que mede a inflação industrial) subiu mais de 20% neste ano”, destacou Moraes.

 

Montadoras fecharam 730 postos de trabalho no mês passado

A indústria automotiva eliminou 730 postos de trabalho no mês passado, segundo balanço divulgado ontem (6) pela Anfavea. Outubro terminou com ocupação de 121,4 mil trabalhadores nas montadoras, 0,6% a menos do que no final de setembro.

O setor segue também empregando menos gente do que um ano atrás. Em outubro de 2019, 127,7 mil pessoas traba­lhavam em fábricas de veículos e de máquinas autopropulsadas, como tratores agrícolas e equipamentos de construção.

O presi­dente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, lembrou que o setor iniciou o ano com a projeção de produzir 3,26 mi­lhões de veículos, mas vai encerrar 2020 com cerca de 2 milhões de unidades. “As empresas estão rodando com dois turnos e há algumas com um turno. É difícil manter a mesma força de tra­balho com 1,26 milhão de veículos a menos”, argumentou.

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