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Produção de veículos cai em agosto ao menor nível em 18 anos

Produção de veículos cai em agosto ao menor nível em 18 anos
Falta de semicondutores interrompe total ou parcialmente as linhas de montagem de 11 fábricas e derruba a produção em 21,9%

A produção de veículos no país caiu em agosto ao pata­mar mais baixo para o mês desde 2003, como reflexo da escassez global de semicondutores, que interrompeu total ou parcialmente as linhas de montagem de 11 fábricas.

Foram produzidas 164 mil unidades no mês passado, total 21,9% inferior ao apurado em agosto de 2020, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (8) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que re­presenta as montadoras.

O resultado – que consi­dera automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus – é o mais baixo para o mês em 18 anos.

Apenas nas linhas de carros de passeio, as mais prejudicadas pela escassez de chips, a produção caiu 29,6% ante o mesmo mês do ano passa­do, para 119,1 mil unidades.

O presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, afirmou que o desempenho de agosto pode ser considerado “bastante ra­zoável” tendo em vista o atual cenário enfrentado pelo setor.

“As empresas têm feito verdadeira gi­nástica para manter a produção e atender as concessionárias e o mercado de exportação, tentando recuperar as paradas na produção com horas extras ou jornadas adicionais”, afirmou Moraes, que divulgou os dados de agosto em entre­vis­ta coletiva concedida online.

O presidente da Anfavea citou dados de novo estudo feito pe­lo Bos­ton Consul­ting Group (BCG), segundo o qual entre 240 mil e 280 mil veículos deixarão de ser produzidos no Brasil – de um total de 7 mi­­lhões a 9 milhões de unidades em todo o mun­do – ao longo deste ano de­­vido à crise glo­bal no fornecimento de chips. A primeira projeção da consultoria, divulgada em julho, estimava per­das entre 100 mil e 120 mil veí­culos no primeiro semestre.

“Criou-se uma tempestade perfeita no setor de semicondutores”, disse Moraes, ressaltando que ao descompasso na produção global de chips decorrente da pandemia somaram-se outros problemas, como o incêndio em fábrica da Renesas Eletronics no Japão e nevasca em planta da Samsung nos EUA. O presidente da Anfavea entende que o fornecimento só deve se normalizar no segundo semestre de 2022.

De janeiro a agosto, a pro­dução de veículos no país so­ma 1,48 milhão de unidades, com crescimento de 33% ante o apurado no mesmo período de 2020 – alta que a entidade credita à fraca base de comparação, já que as empresas praticamente interromperam as linhas de montagem no segundo trimestre do ano passado devido à primeira onda da pandemia de covid-19.

Em julho, a Anfavea projetou para o encerramento do ano aumento de 22% na produção de veículos, mas Mo­raes ressaltou que a crise dos se­micondutores trouxe enorme imprevisibilidade para o desempenho da indústria no restante do ano.

“Em um cenário normal, estaríamos produzindo em ritmo acelerado nesta época do ano, quando as vendas geralmen­te ficam mais aquecidas”, afirmou o presidente da Anfavea.

Com a falta de veículos nas lojas, as vendas caí­ram 5,8% em agosto ante o mesmo período de 2020, para 172,8 mil unida­des. Trata-se do pior resulta­do para o mês em 16 anos. Contra julho houve retração de 1,5%.

O estoque de veículos nas concessionárias e montadoras caiu para 13 dias de vendas, o menor patamar desde 1999, quando a Anfavea começou a acompanhar o indicador.

SUVs

Apesar da queda na oferta, alguns segmentos se destacam positivamente. Pela primeira vez na história, os SUVs supe­raram a soma dos emplacamentos de hatches e sedãs no país. No acumulado do ano, as vendas de utilitários esportivos cresceram 48%.

Os híbridos e elétricos também tiveram participação recorde nas vendas, com 3.873 unidades, 2,4% do mercado.

Outro resultado positivo veio do segmento de cami­nhões. A produção de 15 mil unidades em agosto cresceu 1,1% sobre julho e 111% em relação ao mesmo período de 2020. Na mesma comparação, as vendas de 13 mil unidades avançaram 8,1% e 60,4%, respectivamente.

As exportações reagiram em agosto, com alta de 23,9% sobre julho. Foram enviados 29,4 mil veículos, 5,5% a mais que em agosto de 2020. No ano, a alta é de 43,5%, para 253,3 mil.

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