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Produção de veículos cai 21,7% no 1º bimestre ante igual período de 2021

Produção de veículos cai 21,7% no 1º bimestre ante igual período de 2021
Setor ainda sofre com a persistente irregularidade no abastecimento de componentes eletrônicos. Foto: Divulgação/VW

A produção de veículos caiu 15,8% em fevereiro contra igual mês do ano passado. Entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus, 165,9 mil unidades deixaram as linhas de montagem durante o mês passado, segundo balanço divulgado nesta terça-feira (8) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que representa as montadoras.

Houve crescimento de 14,1% frente ao volume produzido em janeiro, quando o resultado foi comprometido tanto pelas férias coletivas de várias fábricas após a corrida de produção no fim de 2021 como pelo avanço do absenteísmo motivado por contaminações, ou suspeitas de contaminação, pela variante Ômicron do novo coronavírus.

A reação não foi suficiente, porém, para evitar a queda de 21,7% da produção no primeiro bimestre de 2022 ante igual período do ano passado. Os 311,4 mil veículos montados entre janeiro e fevereiro correspondem ao volume mais baixo para o intervalo em seis anos.

Fora a persistente irregularidade no abastecimento de componentes eletrônicos, ainda responsável por paradas de produção, o setor automotivo sente agora a demanda perder força em meio ao contexto de alta nos preços, financiamento mais caro e menor disponibilidade de renda dos consumidores.

VENDAS

As vendas de veículos em fevereiro (129,3 mil unidades) ficaram 22,8% abaixo do número apurado no mesmo mês de 2021. Frente a janeiro subiram 2,2%. Mesmo assim, com 255,8 mil veículos licenciados, o primeiro bimestre terminou com queda de 24,4% e o menor volume para o período desde 2005.

Por conta dos gargalos de produção, ainda persistem listas de espera nas concessionárias para alguns modelos. Porém, o consumo dos últimos dois meses foi, em geral, inferior até mesmo à restrita oferta de veículos. As montadoras já não encontram comprador para tudo o que produzem com a mesma facilidade do ano passado.

“As notícias de que o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) automotivo estava prestes a ser reduzido fizeram com que muitos clientes adiassem o negócio”, explicou o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes. “Esperamos boa reação do mercado em março, mês mais longo e sem feriados, com vários modelos com preços reduzidos nas lojas e historicamente mais aquecido que janeiro e fevereiro.”

Moraes ressaltou que o setor automotivo foi surpreendido por duas notícias simultâneas no final de fevereiro – uma muito positiva, a outra alarmante. A boa nova foi a redução de 18,5% do IPI para automóveis e comerciais leves. “É sempre bem-vinda qualquer proposta que alivie a pesada carga tributária sobre a indústria de transformação. A redução do Custo Brasil, embora ainda tímida, é benéfica não só para o setor industrial, mas também para a geração de empregos, para os consumidores e para a sociedade como um todo”, afirmou.

Por outro lado, o setor vê com enorme perplexidade a injustificável invasão da Ucrânia pela Rússia. “Em primeiro lugar, nos preocupa o aspecto humanitário, com tantas mortes, inclusive de civis, e uma legião de refugiados tentando chegar a países vizinhos, incluindo brasileiros. Ainda é cedo para avaliar os inevitáveis reflexos negativos sobre a economia global e sobre o fluxo da cadeia logística do nosso setor, mas estamos preparados para mitigar os danos e buscar alternativas em caso de falta de insumos ou componentes”, disse Moraes.

“Ainda vivendo sob uma pandemia que cobra tantas vidas e desorganiza a sociedade, o mundo pode sofrer novos e duros golpes caso esse conflito não seja resolvido com um cessar-fogo imediato e a volta da diplomacia”, prosseguiu o presidente da Anfavea.

EXPORTAÇÕES E EMPREGO

Do lado das exportações, que têm a Argentina como principal destino, o balanço segue positivo, com crescimento de 25,4% em fevereiro em comparação ao mesmo mês do ano passado. Frente a janeiro, os embarques subiram 49,6%, para 41,4 mil veículos, o que leva o total no primeiro bimestre para 69,2 mil unidades, 17,3% acima dos dois primeiros meses de 2021.

O balanço da Anfavea mostra ainda que as montadoras terminaram fevereiro com estabilidade no emprego (fechamento de apenas cinco vagas), ocupando no fim do mês 101,3 mil trabalhadores.

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