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Procuradoria acusa Lula de favorecer Odebrecht

A Procuradoria da República no DF denunciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o empreiteiro Marcelo Odebrecht e mais nove pessoas por suposto esquema de desvios envolvendo a empreiteira e a liberação de verbas do BNDES para obras em Angola. Lula foi denunciado sob acusação de organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e corrupção passiva. Um dos denunciados é Taiguara Rodrigues, empresário e sobrinho da primeira mulher do petista.

Os procuradores protocolaram junto à Justiça Federal a denúncia ontem (10). A peça sobre o papel de Lula foi dividida em duas fases: a primeira de 2008 a 2010, quando ainda era presidente e a segunda, entre 2011 e 2015. De acordo com os procuradores, na primeira etapa, Lula teria criado as condições para que a Odebrecht obtivesse futuros contratos no exterior e, ao mesmo tempo, a empresa de Taiguara, a Exergia Brasil, fosse contratada pela empreiteira. Nos anos seguinte, a Exergia recebeu R$ 20 milhões da Odebrecht.

Nesse primeiro período, um indício citado pelos procuradores contra Lula foi ele ter participado de uma reunião no BNDES na qual indicou a necessidade de o banco financiar projetos na África e na América do Sul. Na segunda etapa, conforme os procuradores, Lula teria se beneficiado tanto pela contratação de Taiguara quanto pelo pagamento por palestras que não teriam sido realizadas.

Os procuradores consideraram que, no decorrer do inquérito, Lula e a Odebrecht não conseguiram comprovar que o ex-presidente tenha de fato feito duas palestras em Angola, uma por US$ 100 mil em 2011 e outra por R$ 479 mil em 2014. Na denúncia, as palestras foram consideradas “vantagens indevidas”.

“As palestras, na realidade, seriam o meio utilizado pela empresa e pelo ex-presidente para escamotear o mecanismo de ‘compra e venda’ da influência exercida por Lula tanto em face dos órgãos de governo brasileiros (mercê de sua condição de ex-presidente), quanto em face de governos estrangeiros com os quais o Brasil tivera e conservara boas relações”, diz o documento.

‘Tio’

Para demonstrar a proximidade entre Lula e Taiguara, a peça faz referência a mensagens trocadas entre o empresário e um conhecido por meio da um aplicativo. Os procuradores dizem que as conversas indicam “relação estreita” de Taiguara com Lula “referente a negócios de ambos em ‘Cuba’ e ‘África’.

Os procuradores mencionam uma conversa datada de janeiro de 2015 entre Taiguara e Antonio Carlos Dahia, que era diretor da Odebrecht Infraestrutura, responsável por negócios na África. “Acabei de falar com meu tio por tel (telefone), já adiantei o assunto e ele me receberá na quarta. Sugiro que me envie por e-mail os projetos para que eu possa discutir com ele, por favor”, escreveu Taiguara em seu celular.

Para o Ministério Público Federal, é “inquestionável” que o sucesso empresarial de Taiguara “tem estreita relação com sua condição de ‘sobrinho’” de Lula. Entre 2008 e 2015, os negócios de Taiguara “prosperaram tão expressivamente que foram mais de 40 viagens internacionais para Angola, Cuba, Panamá e Portugal”.

Os procuradores apontam que Lula aceitou outras “vantagens indiretas”, como pagamentos de despesas pessoais de seu irmão José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, de pelo menos R$ 10 mil em um plano de saúde e outros R$ 10 mil em um posto de combustível. Os valores foram pagos pela Exergia Brasil. Os procuradores argumentam que os envolvidos tentaram ocultar a origem dos recursos por meio de saques em espécie realizados pelos funcionários das empresas que pertencem a Taiguara, a Exergia (mais de R$ 1 milhão) e a T7Quatro (mais de R$ 160 mil).

O petista também é acusado de suposta lavagem de dinheiro, crime que, na avaliação dos investigadores, foi praticado 44 vezes e que foi viabilizado por meio de repasses de valores justificados pela subcontratação da empresa de Taiguara.

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