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Primeiro depoente na CPI em Diadema traz poucos esclarecimentos

Orisvaldo Silva (esq.) respondeu às perguntas dos vereadores; empresa recebeu R$ 1 milhão para reformar 14 escolas. Foto: DivulgaçãoO primeiro depoimento colhido pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga supostas irregularidades em contratos da Secretaria de Educação de Diadema com a empresa Mendonça e Silva Construção e Reforma Ltda. não trouxe muitos esclarecimentos.

O proprietário da empresa, Orisvaldo José da Silva, foi o depoente e não soube passar informações como a margem de lucro da empresa nem o nome dos responsáveis técnicos da prefeitura que acompanhavam as obras. A empresa recebeu cerca de R$ 1 milhão pela reforma de 14 unidades escolares de Diadema, incluindo conserto dos telhados, por meio de seis cartas-convite.

A contratação por meio de carta-convite e um possível favorecimento da empresa, que não tinha prestado serviços para nenhuma administração pública, nem confirmado experiência prévia em obras como as que foram realizadas, são alvos da investigação. A empresa foi oficializada em 2013, apenas poucos meses da prestação de serviço.

Relator da CPI, o vereador Josemundo Dario Queiroz, o Josa (PT), foi quem mais fez questionamentos ao empresário. O petista perguntou qual era a margem de lucro, a experiência prévia da empresa com obras maiores, e qual era o nível de relacionamento de Silva com secretários e funcionários da prefeitura.

Silva alegou que quem cuida da parte de orçamentos é seu sogro, cujo nome não quis revelar, e que também não tinha experiência com obras nessa natureza. Também negou que tivesse relacionamento com qualquer integrante da administração municipal. O dono da empresa saiu sem dar declarações para a imprensa.

Presidente da CPI, o vereador Sergio Ramos da Silva, o Companheiro Sergio (PPS), explicou que o próximo passo será ouvir os secretários de Educação, Tatiane Ramos, e Serviços Obras, José Marcelo Ferreira Marques, na próxima sexta-feira (12). Companheiro Sergio também afirmou sobre a necessidade de ouvir outro representante da empresa. “Queremos esclarecer a questão do sogro que parece que é ele quem conhece mais a questão técnica”, declarou.

Conhecimento

Josa lamentou a falta de conhecimento por parte do empresário. “Uma empresa cujo dono não conhece a lei de licitações. Me parece estranho a prefeitura ter contrato”, pontuou. “O que se percebe é que mesmo sendo proprietário é uma pessoa do operacional e isso não é um problema, uma vez que cada um tem uma função dentro da empresa, queremos crer que seja assim. Por isso que estamos insistindo no convite de outra pessoa”, completou. A comissão quer identificar o sogro de Silva para seja ele o novo depoente.

Líder do governo e membro da CPI, o vereador Celio Lucas de Almeida, o Celio Boi (PSB), classificou como “positiva” a reunião. “As perguntas que foram feitas, algumas foram respondidas e outras não, mas do ponto de vista da CPI, uma discussão tranquila”, pontuou.

Para o parlamentar, a postura e a pouca informação do depoente não comprometem o governo, que nega qualquer irregularidade nos contratos. “Pelo que ouvi, um cidadão simples, que prestou o serviço. O serviço está lá. Vamos ver in loco, de fato o que aconteceu, mas em relação ao governo não vejo dificuldade nisso não, ele mesmo falou, as cartas convites são pequenas, são seis contratos, seis cartas convites para fazer esse aporte que foi dito”, minimizou.

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