Esportes, Futebol

Pressionado, presidente do Corinthians demite Oswaldo

Instabilidade política, desmanche do elenco campeão de 2015, maus resultados e, agora, uma nova marca negativa: no último semestre, o Corinthians demitiu três treinadores.

É a mesma quantidade de nomes que passaram pelo clube de 2008 a junho deste ano, uma das fases mais vitoriosas do time, brecada após Tite ir para a seleção brasileira.

Ontem (15), o clube anunciou a demissão de Oswaldo de Oliveira, que sai com mais derrotas que vitórias após dois meses de seu retorno.

O contrato do treinador só terminaria em dezembro de 2017. Foi a sua terceira passagem pelo comando da equipe. Na melhor delas, em 1999, conquistou o Paulista, o Brasileiro e o Mundial.

O presidente do clube, Roberto de Andrade, responsável por escolher Oliveira à época de sua contratação, atribuiu a decisão aos maus resultados em campo.

“Trouxemos o Oswaldo porque acreditávamos na competência dele, porque passou pelo Corinthians e conquistou grandes títulos, mas a resposta dada nesses dois meses não foi o mínimo que esperávamos”, disse.

Antes da partida contra o Cruzeiro, pela última rodada do Brasileiro deste ano, na qual o Corinthians foi derrotado e ficou sem a vaga para a Libertadores de 2017, técnico e dirigentes conversaram e chegaram a sinalizar a permanência do treinador para a próxima temporada. Ontem, porém, Andrade disse que, aos técnicos “(quem dá), garantia é o futebol, não sou eu”.

Andrade disse que vai trabalhar para anunciar o novo técnico o mais rápido possível, mas com cautela. “Se for este ano, melhor. De repente, amanhã (hoje) a gente consegue. De repente, não”, afirmou.

Pressão política

Em 22 de novembro, um grupo de conselheiros do clube abriu um processo de impeachment contra o presidente Roberto de Andrade, que teria assinado, antes de ser eleito, atas de reuniões do clube com a Odebrecht sobre a Arena Corinthians.

A defesa de Andrade afirma que as assinaturas foram dadas após ele assumir.

A má relação do presidente com outros membros do clube, no entanto, vem de antes e tem a ver com as últimas escolhas de Andrade sobre quem treinar o time.

Após a saída de Tite, Andrade optou por Cristóvão Borges, a despeito das críticas internas ao treinador, que não engrenou e foi demitido.

Após a saída de Borges, Andrade efetivou Fábio Carille, então auxiliar-técnico, e garantiu sua permanecia até o fim da temporada, o que foi descumprido um mês depois.

A saída de Carille e a contratação de Oswaldo de Oliveira, em outubro, gerou racha interno no clube, e o diretor de futebol Eduardo Ferreira entregou o cargo.

Quando Andrade escolheu Oswaldo, decisão que bancou pessoalmente, nem o ex-presidente do clube Andrés Sanchez, que o apoiou na eleição, o poupou das críticas.

Perguntado se a demissão do técnico poderia ajudá-lo politicamente, Andrade afirmou que sua decisão não foi tomada para agradar, embora soubesse que o técnico não era bem aceito. “Não fiz isso para agradar, mas em prol do Corinthians”, disse.

Oswaldo perdeu mais do que venceu em sua terceira passagem pelo Corinthians. Foto:

Clube define Guto Ferreira, atualmente no Bahia, como  substituto ideal

O nome que mais agrada o Corinthians para substituir Oswaldo de Oliveira é o de Guto Ferreira, atualmente no Bahia. Após a demissão de Oswaldo, a diretoria intensificou contatos com Guto. Porém, as conversas se iniciaram antes mesmo da mudança de treinador confirmada ontem (15).

O principal empecilho para a contratação de Guto Ferreira é o compromisso firmado com o Bahia. Com mais um ano de vínculo, Guto tem multa rescisória considerada alta pela diretoria do Corinthians. Segundo a ESPN, R$ 1 milhão.

As diretorias, porém, têm bom relacionamento. No ano passado, o Bahia tratou com o Corinthians a possibilidade de comprar o meia Rodriguinho em definitivo. Em 2016, acordaram o empréstimo do lateral corintiano Moisés.

O principal conselheiro de Roberto de Andrade para trazer Guto Ferreira é Tite. O atual treinador do Bahia foi auxiliar dele no Inter.

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