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Pressão sobre o dólar persiste após nova pesquisa, e moeda fecha em R$ 4,06

Pressão sobre o dólar persiste após nova pesquisa, e moeda fecha em R$ 4,06
Dólar emendou o sexto pregão consecutivo de alta, Foto: Arquivo

O dólar emendou o sexto pregão de alta e se aproximou de R$ 4,10 ontem (22), refletindo o nervosismo do mercado com o cenário eleitoral que levou o câmbio a romper a barreira de R$ 4 na véspera pela primeira vez em mais de dois anos.

O dólar comercial avançou 0,44%, para R$ 4,057, maior nível desde 16 de fevereiro de 2016 (R$ 4,071). Na má­xima, chegou a R$ 4,09.

Investidores digeriam a pes­quisa Datafolha divulgada no começo do dia, que mostra o ex-presidente Lula (PT) com 39% das intenções de voto. Na simulação com Lula na disputa, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) mantém estabilidade, com 19% no segundo lugar. Aparecem embolados em terceiro Marina Silva (Rede, com 8%), Geraldo Alckmin (PSDB, 6%) e Ciro Gomes (PDT, 5%).

No cenário sem Lula, Bolsonaro surge à frente da disputa, com 22%. Alckmin também sobe para 9%, empatando na margem com Ciro.

Fernando Haddad (PT), vice de Lula e potencial substituto do ex-presidente, tem largada não muito promissora: apenas 4% das intenções de votos, mas o potencial transferência de votos de Lula para Haddad é o principal receio do mercado.

A Rio Bravo Investimentos destaca que, segundo o Datafolha, 31% votariam “com certeza” em um candidato indicado por Lula. “Diminui a chance de segundo turno com pelo menos um candidato centrista com o potencial de transferência de votos de Lula para Haddad e a resiliência dos votos de Bolsonaro”, escreveu a empresa em relatório.

Lá fora, o dólar avançou ape­nas sobre sete das 31 principais divisas do mundo. Nos últimos dias, o mercado brasileiro se descolou do exterior influenciado por pesquisas eleitorais.

Profissionais do mercado destacam que, em grande parte, a pesquisa desta quarta reforça tendências apontadas nos dias anteriores, mas o dólar continua subindo porque, em meio a incertezas, investidores fazem hedge (seguro cambial).

“O dólar não voltou porque investidores usam o mercado para buscar proteção, e está muito mais barato fazer hedge hoje do que já foi”, disse Adriano Fontes, da Saga Capital.

Após atingir na terça-feira (21) a mínima em seis semanas, o Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas na Bolsa brasileira, abriu em baixa, mas inverteu o sinal e fechou em forte alta de 2,29%, a 76.902 pontos.

Ações do setor financeiro, que foram penalizadas nos últimos pregões, subiram com força. O Banco do Brasil, por exemplo, avançou 2,67%. O cenário eleitoral incerto tem afetado especialmente os papéis de estatais.

 

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