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Presidente ironiza Witzel: ‘Sabe onde vai estar, né?’

Ao receber um pedido de ajuda de um policial militar do Rio de Janeiro, o presidente Jair Bolsonaro provocou o governador do Estado, Wilson Witzel (PSC). “Eu não vou conversar com o Witzel. Até porque brevemente já sabe onde ele deve estar, né?”, disse Bolsonaro, na saída do Palácio da Alvorada, ontem (3) pela manhã. O presidente não conversou com jornalistas, só com apoiadores.

O comentário foi feito após um apoiador, que se apresentou como sargento reformado da Polícia Militar, reclamar de uma taxação sobre a Previdência de policiais afastados por incapacidade, e pedir que o presidente fizesse algo a respeito.

Diante de outros pedidos feitos por apoiadores, Bolsonaro disse não ter poder de resolver tudo, mas que logo “vai passar do limite” para muita gente. “Sou um sozinho. É um grande sistema que a gente tem pela frente, mas vai chegar um tempo que vai passar o limite de muita gente”, disse.

Witzel é investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por suposto esquema de fraudes na área da saúde. Adversário político de Bolsonaro, o governador do Rio foi alvo de uma operação da Polícia Federal no dia 26 de maio.

A ação levantou suspeitas de interferência de Bolsonaro na corporação – um dia antes, a deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP) indicou saber que haveria ações contra governadores. Um inquérito em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) apura acusações do ex-ministro Sérgio Moro de que Bolsonaro interferiu politicamente na PF. O presidente nega.

Hospitais

Uma semana depois de ser alvo da Operação Placebo, Witzel decretou intervenção nos hospitais de campanha do Estado. Atrasadas, as sete unidades vinham sendo geridas pela organização social Iabas, um dos focos da investigação sobre fraudes em contratos.

Além disso, há indícios de desvios de recursos por meio de superfaturamento, segundo o Ministério Público. A empresa firmou contrato de R$ 835 milhões com o governo, de forma emergencial, para administrar os hospitais de campanha. E haveria, segundo os investigadores, “prova robusta” de que há um esquema de corrupção em torno deles.

Após a operação, Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) instaurou, anteontem, uma comissão especial para analisar os contratos assinados pelo Executivo no âmbito da pandemia.

Presidido pela deputada estadual Martha Rocha (PDT), o grupo já determinou, por exemplo, a oitiva do secretário de Saúde, Fernando Ferry, e do ex-chefe da pasta Edmar Santos, além da presença de integrantes do Ministério Público e do Tribunal de Contas para acompanhar os trabalhos.

Além da comissão, Witzel vive na Alerj a iminência da abertura de um processo de impeachment por causa do suposto esquema de corrupção. Três pedidos já foram apresentados.

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