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Presidente do PPS afirma que partido é oposição em Diadema

Gonçalves ocupou cargo no primeiro escalão por mais de três anos. Foto: Eberly LaurindoO presidente municipal do PPS e ex-secretário de Transportes de Diadema, José Carlos Gonçalves, afirmou que o partido deixou o governo do prefeito Lauro Michels (PV) por falta de diálogo. Questionado sobre qual posição a legenda vai adotar a partir de agora, o dirigente foi taxativo. “Na política, não existe muro. Se você não é situação, é oposição. Hoje, o PPS é oposição e fará uma oposição propositiva e consciente”, pontuou. Gonçalves comentou pela primeira vez, na tarde da última quinta-feira (17), sua saída da gestão, em que foi secretário por mais de três anos.

“Trabalhei muito os 65 dias da campanha. Não queríamos ser oposição, mas a politica é assim, temos de entender esse processo”, declarou. “Não dá para abrir mão da coligação. Procurei a coligação, não foram eles quem me procuraram. Só saio se não me quiserem ou se Jesus Cristo me levar. Então, não dá para largar a coligação e ficar com o governo. Somos a segunda maior bancada da Câmara e temos de aguardar. Para não causar uma saia justa, entreguei meu cargo. Hoje a palavra está com o governo”, completou.

O racha do bloco PPS/DEM/PEN teve início logo após a eleição. Assim que Michels foi reeleito, os partidos passaram a articular com a oposição a indicação do vereador Revelino Teixeira de Almeida, o Pretinho do Água Santa (DEM), como presidente da Câmara. Os representantes do grupo alegam que tentaram dialogar com o prefeito, mas que não foi possível. “Faltou diálogo, comunicação, que em política é tudo. Quando acabou o primeiro turno tentamos, na época da eleição estava difícil, mas passou a eleição e também não conseguimos”, afirmou Gonçalves.

O governo conseguiu eleger seu candidato para a presidência do Legislativo, o vereador Marcos Michels (PSB), e DEM e PPS, que elegeram cinco vereadores – além de Pretinho, Salek Aparecido Almeida pelo DEM e Audair Leonel, Jeoacaz Coelho Machado, o Boquinha e Sérgio Ramos da Silva, o Companheiro Sérgio pelo PPS – ficaram com a vice-presidência, 1º e 2º secretários. Porém, passada a eleição para a mesa diretora, o clima piorou, e PPS e PEN, que ocupava a Secretaria de Cultura com o presidente do partido, Paulinho Correria, entregaram os cargos.

Interferência

Para Gonçalves, além da falta de diálogo, houve interferência externa na relação com o governo. “Tem aquelas pessoas que entraram no meio para interferir e acabaram atrapalhando. Pessoas que estavam no entorno do Lauro atrapalharam bastante e continuam atrapalhando”, afirmou. “Quem ajuda eleger quer ajudar a governar”, pontuou.

Procurado, Michels refutou as acusações. “O prefeito tem opinião própria. Ninguém atrapalha minha relação com ninguém. O governo está aberto para conversar com todos, desde que entendam seu espaço. Não vou ficar loteando esse espaço para perder o controle do governo”, rebateu o verde.

Na última sessão, requerimento da bancada DEM/PPS foi aprovado convocando o secretário de Obras, José Marcelo Ferreira Marques, para dar explicações sobre as intervenções na área de saneamento do município. “Está faltando bom senso. Porque tanto o Audair quanto o Companheiro Sérgio estavam no governo antes de serem vereadores e agora criticam, dizem que está tudo uma bagunça. Se está, e não está – destacou o prefeito -, ajudaram a deixar assim”, afirmou Michels.

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