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Prefeitos se ajudam no combate à pandemia de covid

“Sempre acreditei na governança coletiva, de troca e cooperação entre as cidades”, disse Filippi. Foto: Reprodução Facebook
“Sempre acreditei na governança coletiva, de troca e cooperação entre as cidades”, disse Filippi. Foto: Reprodução Facebook

A falta de medicamentos, insumos e outros itens importantes para o tratamento de casos graves de coronavírus é realidade em todo o país. Para evitar o colapso e poupar vidas, a solução encontrada por prefeitos tem sido buscar apoio em municípios próximos, por ser mais rápido e sem burocracias.

A ajuda tem ocorrido de maneira informal e apartidária – apesar do momento de polarização no Brasil. Os secretários de Saúde da Grande São Paulo, por exemplo, mantêm um grupo de WhatsApp para trocar informações em tempo real sobre a situação de cada lugar. O combinado para aqueles que recebem algum item emprestado é devolver assim que possível, para que não haja desabastecimento

A Prefeitura de Santo André tem ajudado nove cidades da região, entre elas Diadema, Guarulhos e Rio Grande da Serra. A lista daquilo que foi emprestado é quase toda de itens essenciais, alguns inclusive do chamado “kit intubação”, hoje em escassez no país.

Um deles é o bloqueador neuromuscular, usado para paralisar o paciente intubado e permitir que fique em estado de relaxamento enquanto o respirador trabalha. Sedativos e medicamentos que controlam a pressão e reduzem o risco de formação de coágulo também estão na lista. Há ainda materiais básicos, como sabonete, lidocaína gel (anestésico tópico para aplicar em mucosa), máscaras, luva, compressa de gaze e até dipirona.

“Há uma rede de reposição entre as cidades para que não falte insumo para ninguém. Foi um formato que criamos para evitar o colapso”, disse o prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB). A cidade não corre o risco de desabastecimento, e por isso, tem sido uma das que mais ajudam na região. Serra afirmou sentir falta de uma “articulação” em âmbitos institucionais superiores – os go­vernos federal e do Estado.

A rivalidade entre PSDB e PT foi deixada de lado para ajudar a vizinha Diadema, comandada pelo prefeito José de Filippi (PT). “Sempre acreditei na governança coletiva, de troca e cooperação entre as cidades”, disse. Filippi relatou que, quando assumiu a prefeitura, no começo do ano, todos os contratos de fornecimento de medicamentos tinham se encerrado em dezembro. “Nos primeiros 30, 40 dias de governo, esse apoio de Santo André foi fundamental para salvar vidas.”

Hoje, o município consegue até ajudar outras cidades, como Rio Grande da Serra, do prefeito Claudinho da Geladeira (Pode­mos). “A questão partidária é importante para cada um. Mas agora, nesse ambiente de guerra, precisamos estar de mãos dadas”, afirmou Filippi.

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