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Prefeitos do ABC cobram Enel por falta de energia; Morando afirma que presidente da concessionária é criminoso

Atualizado às 19h21 com declarações do prefeito Orlando Morando dadas ao Estado de SP

Prefeito de Diadema, José de Filippi afirmou que Estado e prefeituras vão aplicar multas pesadas e que o comportamento da Enel foi inaceitável

Morando: "creio que desta forma, com ele preso, a companhia, pela qual é responsável, seria um pouco mais eficiente e menos displicente com a população". Foto: Divulgação
Morando: “creio que desta forma, com ele preso, a companhia, pela qual é responsável, seria um pouco mais eficiente e menos displicente com a população”. Foto: Divulgação

Balanço divulgado pela Enel nesta terça-feira, 7, quatro dias após as fortes chuvas e ventania que atingiram São Paulo, informa que  90% dos imóveis tiveram o serviço restabelecido. Entretanto, 200 mil residências permanecem sem energia em 24 municípios da região metropolitana, incluindo a capital paulista. Cerca de 4 milhões de endereços chegaram a ficar sem energia em todo o estado em decorrência de fortes chuvas e rajadas de vento na última sexta (3).

“A Enel colocou quase 3 mil profissionais nas ruas que seguem trabalhando 24 horas por dia para agilizar os atendimentos e normalizar o fornecimento para quase a totalidade dos clientes até esta terça-feira, conforme anunciado em reunião com o prefeito de São Paulo”, disse a companhia. A previsão é que o serviço seja totalmente restabelecido até a noite desta terça.

Nesta segunda-feira,  o governador Tarcísio de Freitas se reuniu com prefeitos deputados estaduais, diretores da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e executivos de cinco empresas de distribuição de energia que atuam no território paulista. Após a reunião, prefeitos do ABC se manifestaram pelas  redes sociais. O prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, foi contundente em suas declarações, ao afirmar que presidente da Enel Brasil, Nicola Cotugno, deveria ser preso.

“Esperava respostas conclusivas. Eu já conheço esse cidadão. Aliás, esse sujeito. Por muito menos, outros prestadores de serviços públicos já teriam sua prisão decretada pelos riscos que ele colocou à população. Até quando as autoridades vão continuar lenientes? Será que não seria razoável prender o presidente da Enel até que ele pudesse religar todos os lares de São Paulo e devolver energia elétrica? Garantir que todas as escolas, públicas e privadas, voltassem a funcionar, além de todos os equipamentos de saúde. Creio que desta forma, com ele preso, a companhia, pela qual é responsável, seria um pouco mais eficiente e menos displicente com a população”, afirmou nas redes sociais.
O prefeito de São Bernardo do Campo  afirmou ainda que Cotugno “é um criminoso” e que pessoas podem ter morrido com a falta de energia nas cidades afetadas pelo blecaute.
“Provavelmente, gente morreu. Quem precisava de equipamento dependente de energia elétrica, aqueles que estão em home care podem ter perdido a vida. Esse sujeito tinha que ser preso para resguardar os direitos da sociedade. Ele é criminoso. Eu estou afirmando”, disse ao Estadão.A declaração de Morando ocorre depois de Cotugno afirmar, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, que não há motivos para a empresa se desculpar. De acordo com ele, “o vento foi absurdo”

O governador  afirmou que a maior preocupação são as pessoas. “Temos uma criticidade na cidade de São Paulo e a expectativa é que seja restabelecido até terça, que havia sido a previsão inicial das concessionárias. Também discutimos como vamos estabelecer planos de contingência para que o restabelecimento de energia em novas ocorrências possa se dar da melhor forma e o mais rápido possível”, destacou.

Tarcísio também disse que as concessionárias e a Aneel vão estudar, em prazo de até 30 dias, a implementação de um plano especial de atendimento a clientes residenciais e comerciais que tiveram prejuízos pelo período prolongado sem energia.

O prefeito de Diadema, José de Filippi, afirmou após a reunião que os prefeitos exigiram uma nova postura da Enel e que serão aplicadas multas à empresa. “Duas medidas serão tomadas, uma delas é que as prefeituras e o governo do Estado vão aplicar multas pesadas no comportamento dessa concessionária, que foi inaceitável diante da falta de energia, que até hoje não foi restabelecida em diversas áreas da região metropolitana de São Paulo. Em segundo lugar, a empresa terá 30 dias para apresentar um plano de indenização para o pequeno consumidor. Aquele que perdeu os produtos da geladeira, principalmente a alimentação, e para o pequeno comerciante, que teve agravada a situação em seu negócio”, afirmou.

Filippi destacou, ainda, que as autoridades ficarão atentas porque o ‘fenômeno” que aconteceu em São Paulo é um prenúncio do que pode acontecer durante o verão, quando há ocorrência de chuvas fortes. “Vamos nos preparar para situações como essa exigindo da Enel outro comportamento para restabelecer a energia quando acontecer esses eventos”, pontuou.
Já o prefeito de Santo André, Paulo Serra, afirmou que o PROCON do município está com força-tarefa organizada para receber todas as reclamações e viabilizar ações contra a ENEL, que visem minimizar os prejuízos sofridos por todos nós, devido a demora no restabelecimento do fornecimento de energia.
O prefeito de Mauá, Marcelo Oliveira, também afirmou que medidas serão tomadas para fazer os direitos dos munícipes serem respeitados. “Tivemos aqui alguns encaminhamentos. A população que foi prejudicada nesse período de sexta-feira até hoje, que procure o Procon de nossa cidade, para que possamos abrir os processos. A reunião foi produtiva e terá vários encaminhamentos,  na CPI (da Enel)  que está acontecendo na Assembleia (Legislativa de São Paulo) e também levaremos ao governo federal, ao presidente Lula por meio do Alexandre Padilha, que é ministro das Relações Institucionais, para que possamos fazer a Enel cumprir seu papel de distribuição de energia, e atender o cidadão com respeito e dignidade. Estamos indignados com o que aconteceu em nosso Estado e com o tratamento da Enel com nossa população”, destacou.
O prefeito de São Caetano, José Auricchio Jr, convidou o deputado estadual Thiago Auricchio, que preside a CPI da Enel na Alesp, para trabalhar junto com o município em relação aos serviços prestados pela concessionária de energia.
“Eu, como autor do Código Paulista de Defesa do Consumidor, parabenizo a ação deixar o Procon à disposição dos munícipes que se sentiram lesados nessa última tempestade que teve. e quero orientar não só as pessoas de São Caetano  que procurem o Procon. O Estado vai usar como base as denúncias para cobrar e fiscalizar a Enel São Paulo”, afirmou Thiago Auricchio.
Nesta terça-feira, às 19h, José Auricchio fará uma live para tratar o descaso da Enel para com os cidadãos.

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