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Prédio atingido por incêndio que matou quatro pessoas no Brás será demolido

Incêndio em prédio no Brás deixou 4 mortos e 24 feridos. Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress.Quatro pessoas morreram e 24 ficaram feridas em um incêndio que começou no início da manhã de ontem (23) na região do Brás, no Centro da Capital paulista. O socorro foi acionado às 4h e o fogo, controlado às 5h. No imóvel de dois andares, localizado na avenida Celso Garcia, região de comércio têxtil popular, existe uma ocupação de imigrantes de várias nacionalidades.

No andar de baixo havia uma pequena lanchonete e, no andar de cima, os imigrantes moravam e também trabalhavam em precárias oficinas de produção de roupas. Segundo vizinhos, a moradia tinha emaranhados de fios elétricos com grande risco de curto-circuito.

O prédio terá de ser demolido, segundo avaliação da Defesa Civil. “Vai ter que demolir porque toda a estrutura está comprometida”, afirmou o coordenador Operacional do órgão, Nelson Suguieda. O proprietário do imóvel, que está interditado, ainda não foi localizado. Será intimado a tomar as providências necessárias nesse sentido. Morreram dois homens e duas mulheres. Entre eles, o responsável por alugar espaços do prédio invadido para moradia irregular.

Situação irregular

O auditor fiscal do Trabalho Renato Bignami informou que a situação era irregular, já que os trabalhadores ficavam confinados e faziam do mesmo ambiente moradia e local de trabalho. No imóvel de dois andares foram encontrados botijões de gás, o que não é permitido pelas normas do trabalho. Além disso, foi verificada sobrecarga dos fios elétricos e amontoados de tecidos usados na produção de roupas.

Segundo o auditor, a investigação vai apurar se ocorria no local uma situação de sweat shop, similar ao trabalho escravo. “Um sistema extremamente baseado em subcontratações, terceirização intensa da cadeia produtiva, extenuante jornada de trabalho, em que os trabalhadores ficam confinados no local de trabalho e acontecem acidentes como esse”, afirmou.

Aylin Miranda, 27, observava o trabalho dos bombeiros no prédio que era a sua casa. “Queimou máquinas, material de trabalho e um monte de roupa”, conta Aylin, que morava no local há cerca de dois anos com o pai, três irmãos e três filhos. “Acordei com um vizinho batendo na porta. Era muita fumaça. Tentei abrir a porta, mas não dava para passar. Os bombeiros tiraram a gente pela janela”, conta o irmão de Aylin, Nilo Miranda, 19, que também trabalhava na confecção de roupas.

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