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Preço de alimentos cai, mas comer fora de casa fica até 8% mais caro no ABC em 2017

Almoçar fora de casa no ABC ficou até 8% mais caro, em termos nominais (sem considerar a inflação), no ano passado. É o que revela a pesquisa da Associação Brasileira das Empresas de Benefício ao Trabalhador (ABBT), divulgada ontem (15).

O estudo mostra que Diadema tinha a refeição mais barata entre os nove municípios da Grande São Paulo pesqui­sados, com preço médio no final do ano passado de R$ 27,24, estável em relação ao apurado no levantamento anterior (R$ 27,23), feito 12 meses antes (veja quadro).

Na mesma comparação, o preço médio da refeição completa subiu 4,8% em São Caetano, para R$ 33,24, e 8% na vi­zinha São Bernardo, para R$ 31,59. No sentido contrário, comer fora de casa ficou 3% mais barato em Santo André (R$ 33,97).

Em dois dos quatro municípios do ABC, a variação nos preços ficou acima da inflação oficial do período, de 2,95%, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Nos de­mais ficou abaixo do IPCA.

Preço de alimentos cai, mas comer fora de casa fica até 8% mais caro no ABC em 2017

A diretora-presidente da ABBT, Jessica Srour, explicou que os alimentos deram importante contribuição para a desaceleração do IPCA, ao registrar deflação de 4,85% no ano passado, mas esse alívio não se refletiu no preço da refeição fora do domicílio.

“Acreditamos que outros custos, como gás de cozinha, energia elétrica e água, pressionaram os estabelecimentos a fazer o repasse para o preço final”, explicou Jessica.

O que fez, então, os preços caírem, em termos reais, em Diadema e Santo André?

Para calcular o preço médio, a pesquisa coleta valores de refeição completa – prato principal, bebida não alcoólica, sobremesa e café – em quatro modalidades: comercial, autosserviço (quilo e preço fixo), executivo e à la carte.

Ocorre que, em Diadema e Santo André, houve redução na coleta de preços nas modalidades executivo e à la carte, mais caras, derrubando o preço médio da refeição.

“A oferta de almoço executivo e à la carte encolheu de forma geral devido à crise econômica, e isso apareceu, por exemplo, nos dados de Diadema. Muitos restaurantes mais sofisticados fecharam as portas ou mudaram para o autosserviço, de forma a oferecer refeição mais barata”, disse a diretora-presidente da ABBT.

Ainda segundo a pesquisa, um trabalhador de Santo André que ganhe um salário mínimo (R$ 954) e não receba vale-refeição gastaria com alimentação fora de casa 78,3% da renda, considerando 22 dias ao mês. Em São Caetano, São Bernardo e Diadema, o comprometimento da remuneração seria de 76,7%, 72,8% e 62,8%, respectivamente.

“Para a grande maioria das pessoas que recebem o benefício seria muito difícil arcar com os custos de alimentação fora de casa”, destacou Jessica.

A refeição mais cara do país é a de Florianópolis (R$ 40,85).

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