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Potencial de consumo do ABC aumenta 2,3% neste ano, mas é o mesmo de 2014

Estudo anual realizado pela empresa de consultoria IPC Marketing re­vela que os 2,75 milhões de habitantes do ABC devem consumir R$ 72,7 bilhões neste ano, valor 8,7% superior aos R$ 66,8 bilhões es­ti­mados pa­ra a re­gião em 2016. Em termos reais (descontada a in­flação do período), a alta é de 2,3%.

Após cair 7,3% no ano passado, o potencial de consumo dos sete municípios inverteu trajetória descendente e aumentou acima da média nacional. Ainda segundo o levantamento, chamado IPC Maps 2017, o gasto dos brasileiros deve somar R$ 4,2 trilhões este ano, montante R$ 300 bilhões acima do estimado para 2016 (R$ 3,9 trilhões). Descontada a inflação oficial, o avanço é de 2,04%.

Como seu potencial de consumo cresceu mais do que o brasileiro, o ABC ampliou a participação no “bolo nacional”. Avaliado como se fosse uma só cidade, o índice da região avançou de 1,72% no ano passado para 1,73% em 2017. Na prática signi­fica que de cada R$ 100 gastos no país, R$ 1,73 sai­rão dos bolsos de consumido­res dos sete municípios.

O aumento de 0,01 ponto porcentual entre 2016 e 2017 interrompe três anos seguidos de queda na participação do ABC (veja gráfico ao lado).

Mesmo assim, segundo o estudo, os moradores da região vão gastar, em termos reais, praticante o mesmo que gastaram em 2014.

A região manteve a quinta posição no ranking de consumo do país, atrás de São Paulo, Rio, Brasília e Belo Horizonte. A quarta foi perdida em 2012 e a terceira, em 2002.

Cenário adverso

O aumento do potencial de consumo do ABC expresso nos dados do IPC Maps 2017 ocorre em um ambiente hostil de forte queda na atividade econômica e de aumento do desemprego.

O Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) estima que, no ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) dos sete municípios tenha encolhido 8,4% – os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) só serão divulgados em dezembro de 2018.

Além disso, o mercado de trabalho da região fechou 31,7 mil vagas com carteira assinada no ano passado, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Mais gente desempregada significa menos dinheiro disponível para o consumo.

Como resultado da menor massa de rendimentos originária do trabalho, o faturamento do comércio do ABC encolheu em 2016. O tombo foi de 4,1%, segundo o ACVarejo, levantamento da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) elaborado com base em dados da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz).

O que causou, então, o aumento no potencial de consumo da região? O coordenador do IPC Maps, Marcos Pazzini, explicou que houve aumento no número de domicílios da classe A (renda média de R$ 20.272,56), que saltou de 3% do total em 2016 para 3,2% neste ano.

Esse movimento mais do que compensou o rebaixamento de famílias da classe C (R$ 1.927,62) para as classes D/E (R$ 639,78). Enquanto o primeiro extrato diminuiu de 47,9% para 47,3% do total de domicílios, o segundo cresceu de 18,8% para 19,7%.

“Os dados mostram que houve migração da classe B para a A, que compensou a migração da C para a D/E e fez com que o potencial de consumo do ABC subisse acima da média. Apesar da crise, os mais ricos conseguiram ganhar mais dinheiro”, disse Pazzini, ao destacar que os dois movimentos, combinados, sinalizam aumento da desigualdade na região. “Para que essa distância volte a cair, é preciso que o mercado retome a criação de empregos”, prosseguiu.

No corte geográfico, os sete municípios do ABC tiveram aumento nominal no potencial de consumo entre 2016 e 2017 e só dois deles (Diadema e Mauá) não registraram crescimento real.
O melhor resultado foi o de Rio Grande da Serra. Seus moradores devem consumir R$ 1,07 bilhão este ano, com avanço real de 11% sobre os R$ 875 milhões de 2016. O município subiu da 601ª para a 538ª posição. A cidade do ABC mais bem colocada é São Bernardo (18º).

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