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Postos rejeitam combustível após ameaça e violência em São Paulo

Postos rejeitam combustíveis após ameaça e violência em SP
Foto: Arquivo

Por Rogério Pagnan, Rogério Gentile e Dhiego Maia

Proprietários de postos de São Paulo estão recusando receber combustíveis para abastecimento da população em razão de uma série de ameaças e atos de violência praticados por grupos ligados ao movimento grevista. Houve promessas de ataques a postos por meio de áudios enviados para celulares de proprietários e funcionários desses estabelecimentos.

Essas intimidações levaram ao cancelamento de dezenas de escoltas programadas pela Polícia Militar na noite de domingo (27) para a capital paulista, destinadas a proteger o fornecimento de combustível para o público em geral, e não apenas para o atendimento de serviços emergenciais. Essa operação tinha sido organizada pela cúpula da PM com associações de distribuidores, mas acabou naufragando após a recusa de donos de postos e também de motoristas de caminhões-tanque, igualmente ameaçados.

Um exemplo do grau de intimidação sofrida pelos funcionários de postos ocorreu na noite de domingo (27) em estabelecimento nos Jardins. O caminhão com cerca de 30 mil litros de combustível chegou ao local por volta das 18h, escoltado por veículos da PM e por dois supostos sindicalistas em uma motocicleta.

Os frentistas disseram que só venderiam combustível para abastecimento de carros da polícia, até porque os homens que se apresentavam como sindicalistas não permitiam a venda para veículos comuns. Os funcionários do posto conversaram com a Folha quase sussurrando, com evidente medo da dupla.

Mensagens anõnimas

José Alberto Gouveia, presidente do Sincopetro (sindicato dos revendedores de combustível no estado de São Paulo), afirma que muitos estabelecimentos têm recebido mensagens anônimas com ordem para interromper a comercialização do produto. “As mensagens dizem que vão destruir os postos, atear fogo”, diz.

Motoristas de caminhões-tanque também têm sido alvo de ameaças. Nos bloqueios nas estradas, são fotografados, bem como seus veículos, e avisados de que não podem levar combustível para postos que fazem a venda para consumidor particular.

“Dizem que vão pegar quem não cumprir a ordem”, afirma Flávio Campos, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo de Campinas (Recap), entidade que representa 1.400 postos em 90 cidades da região.

Na noite desta segunda-feira (28), a Polícia Militar enviou grupamentos do batalhão choque para nove centros de distribuição na Grande SP. “Já ocorreram vários ataques”, diz Gouveia, do Sincopetro. “Furam os pneus e atiram pedras no para-brisa.”

Também nesta segunda, PMs entraram pela primeira vez em confronto com manifestantes. Um dos conflitos ocorreu no km 25 da Imigrantes, que leva ao litoral, quando motoristas de caminhão fecharam as faixas de todas as pistas, impedindo a passagem dos veículos, inclusive de automóveis. Um segundo confronto ocorreu em Campinas, com moradores da região que tentaram fechar uma via.

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