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Por falta de peças, Mercedes põe 600 trabalhadores em férias coletivas

Por falta de peças, Mercedes põe 600 trabalhadores em férias coletivas
Fábrica de São Bernardo emprega 8 mil trabalhadores, dos quais 6 mil na produção. Foto: Divulgação

A Mercedes-Benz informou que colocará 600 traba­lhadores da planta de São Bernardo em férias coletivas devido à falta de componentes eletrônicos. Os metalúrgi­cos das áreas de eixos, cambio e caminhões fi­carão fora da fá­brica por 12 dias, de 14 a 25 de março. Segundo o Sindicato dos Me­­talúrgicos do ABC, há a possibilidade de que outro grupo de funcionários entre em fé­rias coletivas no final do mês.

A escassez global de semicondutores, problema deflagrado pela pandemia de covid-19, teve início há mais de um ano e, segundo dirigen­tes do setor automotivo, de­ve prosseguir até 2023.

“No final de janeiro, a Mercedes-Benz estava discutindo jornadas adicionais e contratações para atender o volume de produção. Porém, depois de alguns dias, com o agravamento da falta de peças, houve cortes no volume e a empresa sina­lizou que haveria férias coletivas. Com o aumento da demanda, nossa pauta era para colocar mais traba­lhadores na empresa”, disse em nota o coordenador do Comitê Sindical na Mercedes, Sandro Vitoriano.

A unidade do ABC possui cer­ca de 8 mil trabalhadores, dos quais 6 mil na produção.

Para Aroaldo Oliveira da Sil­va, diretor executivo do sindicato e presidente da IndustriALL-Brasil, a decisão da montadora evidencia a necessidade urgente de uma política industrial no país, insistentemente cobrada pela entidade com o objetivo de fortalecer o parque fabril brasileiro, preservar e ge­rar empregos no setor.

O sindicalista entende que a crise de falta de componentes enfrentada pelo setor industrial brasileiro é “absurda”, por haver demanda do mercado. “Não estamos discutindo retração no mercado ou a falta de capacidade de produzir cami­nhões. O que está acontecendo agora, no momento em que a empresa deveria estar contratando, mostra a ineficácia do atual governo em pensar políticas industriais que atendam as demandas do setor. Poucos setores estão reagindo e, nesses poucos, o governo não tem política para estimulá-los.”

CAOA CHERY

Também por falta de componentes, a Caoa Chery vai pa­ralisar a produção em Jacareí (SP) por 45 dias e suspenderá os contratos de trabalho (o chamado lay-off) de 450 funcionários a partir do dia 12 de março.

Em nota, a Caoa Chery informou que a paralisação visa a ajustar os estoques fabris de acordo com o mercado devido aos efeitos da variante Ômicron, que impactou a cadeia de supri­mentos e o abastecimento da planta.

O grupo disse ainda que, durante esse período, a unidade passará por atualização na linha de produção para receber novos modelos previstos para 2022. Saída e retorno dos trabalhadores em lay-off serão escalonados.

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