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Por falta de peças e componentes, trabalhadores da Volks terão redução de jornada e salários

O porcentual de redução será de 24% na jornada e 12% nos salários, segundo informou o sindicato nesta quarta-feira

Em assembleias internas realizadas nesta quarta-feira (22) a direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC comunicou aos trabalhadores na Volks, em São Bernardo, sobre o programa de redução de jornadas e salários que será adotado na montadora a partir de julho, devido à falta de componentes eletrônicos e peças. O porcentual de redução será de 24% na jornada e 12% nos salários. A Volks conta com cerca de 8,2 mil trabalhadores, sendo 4,5 mil na produção.

A medida está assegurada pelo acordo negociado entre Sindicato e montadora, aditado em 2020 e vigente até 2025, e será aplicada já no retorno das férias coletivas de dez dias programas para trabalhadores da produção, de 27 de junho a 7 de julho.

Segundo o diretor administrativo do Sindicato, Wellington Messias Damasceno, a montadora pretendia suspender um turno de produção como alternativa para a falta de fornecimento. “Negociamos a redução de jornada justamente pelo impacto que a decisão teria. Não só para os trabalhadores na Volks, mas para toda a cadeia de produção, principalmente para os trabalhadores terceiros”, destacou.

“Buscamos a alternativa garantida no acordo e que não impactasse em toda a cadeia produtiva. É a melhor ferramenta que temos para o momento, que será avaliada mês a mês e pode sofrer alterações até a normalização da situação”, prosseguiu.

O sindicalista destacou ainda que a representação dos trabalhadores na Volks vem cobrando da empresa a previsão da normalização do fornecimento de semicondutores e autopeças na fábrica. “O mundo vive hoje o problema de falta de peças. Não só semicondutores. Há uma série de produtos que estão faltando no mundo todo.”

Damasceno também lembrou que o acordo em vigência estabelece as bases das pautas dos trabalhadores como data-base, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), banco de horas, ferramentas de flexibilização para enfrentar crises e melhorias do mercado automobilístico e também garante investimentos na planta.

“Essa situação tende a ser levada por um bom tempo, mas temos um acordo que estabelece previsibilidade, traz ferramentas de flexibilidade para momentos como este, garante investimentos e a permanência da fábrica em São Bernardo”, afirmou.

Falta de ação do governo

O dirigente sindical ressaltou, ainda, que falta no país uma política industrial que dê condições para o Brasil sair desta crise com geração de emprego e uma indústria forte e que o governo brasileiro precisa ter políticas que olhem para o fomento, desenvolvimento e pesquisa local.

“Não temos uma política industrial que garanta que parte dos produtos que importamos sejam feitos no Brasil. Política industrial não é o que esse governo faz de zerar imposto para a importação para trazer de fora carros elétricos e ônibus que poderiam ser produzidos aqui gerando empregos”, afirmou.

 

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