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Por falta de chips, montadoras deixam de produzir 120 mil veículos no 1º semestre

Por falta de chips, montadoras deixam de produzir 120 mil veículos no 1º semestre
Para a Anfavea, fornecimento global de semicondutores só será normalizado na segunda metade de 2022

A indústria automotiva bra­sileira deixou de produzir entre 100 mil e 120 mil veí­culos no primeiro semestre deste ano de­­vido à crise glo­bal no fornecimento de semicondutores, que vem causando interrupções de produção nas fábricas. A esti­mativa foi divulgada, ontem (7), pelo presidente da Associação Nacional dos Fa­­bri­cantes de Veículos Automo­tores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes.

A projeção, considera­da conservadora pelo executi­vo, baseia-se em es­tudo feito pe­la consultoria Bos­ton Consul­ting Group (BCG), segundo o qual 162 mil veículos deixaram de ser produzidos na América do Sul – de um total de 3,6 mi­­lhões de unidades em todo o mun­do – durante os seis pri­mei­ros meses deste ano.

Para chegar à estimativa de perdas nas montadoras bra­sileiras, Moraes considerou que o parque au­tomotivo do país responde por 80% a 85% da produção no continente.

Semicondutores são essenciais no setor automoti­vo, uma vez que são usados em todos os componentes ele­trô­­nicos que equipam os veí­cu­los. A demanda por chips cresceu nos últimos anos, jun­­tamente com o avanço da ele­trônica nos automóveis.

“A expectativa é de que es­sa situação comece a ser nor­malizada no segundo semestre de 2022”, afirmou Mo­­raes, durante apresentação online dos resultados do setor.

Segundo a Anfavea, deixa­ram as linhas de montagem 1,149 milhão de unidades no primeiro semestre, total 57,5% superior ao produzido no mesmo período de 2020 – números que englobam carros, comerciais leves, caminhões e ônibus.

Moraes ponderou que o avanço se dá sobre base de comparação fraca, já que a pri­meira onda da pandemia de covid-19 parou as fábricas por até dois meses no primeiro semestre do ano passado.

Assim, segundo o executi­vo, a comparação mais justa é a com o primeiro semestre de 2019 (antes da pandemia), que aponta retração de 22,1% na produção de veículos, ou cerca de 325 mil unidades a menos.

A baixa oferta de alguns pro­dutos se refletiu nos resultados do mercado interno. Nos seis primeiros meses de 2021 foram licenciadas 1,074 milhão de unidades, 32,8% a mais que no mesmo período de 2020, mas 17,9% a menos do que no primeiro semestre de 2019.

O problema foi mais sentido pelo segmento de automóveis, que registrou no primeiro semestre patamar de vendas (de 804 mil unidades) 22% inferior ao dos seis meses iniciais de 2019. Na mesma comparação, os emplacamentos de comerciais leves avançaram 10%, para 204 mil unidades.

Com a paralisação, por falta de chips, da produção do até então líder de vendas Onix na fábrica da General Motors em Gravataí (RS), os utilitários esportivos as­sumiram o protagonismo do mercado brasileiro, responden­do por 39,4% das vendas de automóveis no pri­meiro semestre, contra 39% dos hatches. Há seis anos, porém, os modelos compactos res­pondiam por 48%, contra 13% dos SUVs.

“A mudança no mix (de pro­dução) atende à demanda do consumidor, que procura produtos com novas tecnologias, mais conectividade e design diferente, bem como ao regulatório, que está trazendo novos requisitos (de segurança e emissões)”, explicou Moraes.

As melhores notícias conti­nuam vindo do setor de cami­nhões, favorecido pelo bom de­­sempenho do agronegócio e do e-commerce, a despeito de problemas pontuais com insu­mos. A produção de 74,7 mil unidades no primeiro semestre deste ano é a melhor para o período desde 2014, da mesma forma que as 58,7 mil unidades licenciadas de janeiro a junho.

PREVISÕES

Com o desempenho negativo do segmento de automó­veis e o resultado surpreendente do setor de caminhões, a Anfavea atualizou as projeções apre­sentadas em janeiro refe­ren­tes ao fechamento de 2021.

A produção total, que era estimada em 2,520 milhão de unidades (crescimento de 25% sobre 2020), foi reduzida para 2,463 milhões (alta de 22%). No corte por leves e pesados, o aumento estimado na produção caiu de 25% para 21% no segmento de carros e comerciais leves, e subiu de 23% para 42% no de caminhões e ônibus.

Para as vendas internas, a projeção agora é de 2,320 mi­lhões de licenciamentos (elevação de 13% sobre 2020), ante os 2,367 milhões previstos em janeiro. Automóveis foram revistos para baixo (de 14% para 7%), enquanto comerciais leves (de 18% para 33%), caminhões (de 13% para 36%) e ônibus (de 13% para 15%) foram revistos para cima.

Moraes ponderou que nunca foi tão difícil fazer projeções no Brasil. “Além das variáveis socioeconômicas, agora temos de levar em conta a pandemia, o ritmo da vacinação, a instabilidade política e a crise global de semicondutores, sobre a qual pouco podemos antever.”

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