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‘Populista e pouco responsável’, diz Doria sobre desafio de Bolsonaro

‘Populista e pouco responsável’, diz Doria sobre desafio de Bolsonaro
Bolsonaro desafiou governadores a zerar imposto dos combustíveis. Foto: Jose Cruz/ABr

O governador João Doria (PSDB) rebateu o “desafio” feito pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), em torno do preço dos combustíveis. O tucano chamou de “populista e pouco responsável” a atitude do chefe do Planalto, de cobrar dos Estados a redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre o produto.

Mais cedo, Bolsonaro voltou a responsabilizar os Estados pela alta do preço nos combustíveis. “Está feito o desafio aqui: eu zero o (imposto) federal hoje e eles (governadores) zeram o ICMS. Se topar, eu aceito. Está ok?”, disse.

O comentário foi uma reação a críticas de governadores sobre a intenção do governo federal de alterar a forma de cobrança de ICMS sobre a gasolina e o diesel. Na sequência, após reuniões com senadores do PSDB em Brasília, Doria devolveu. “(Desafio) na base da bravata. A bravata me lembra populismo, que me lembra algo ruim para o Brasil”, disse o tucano, afirmando que os governadores não foram chamados para o diálogo com Bolsonaro sobre o assunto.

Para Doria, o presidente não pode “jogar no colo” dos governadores a responsabilidade, pois a União tem incidência maior no preço dos combustíveis. “A imposição aos governadores da responsabilidade na redução do ICMS e, consequentemente, do preço dos combustíveis, é uma atitude populista e ao meu ver pouco responsável”, afirmou.

O preço dos combustíveis marca mais uma disputa de discursos entre Bolsonaro e Doria, possíveis adversários na disputa presidencial de 2022.

REAÇÕES

Em evento no Rio Grande do Sul, o governador gaúcho Eduardo Leite (PSDB) disse que “não é razoável, sensato e lógico” o presidente querer que os Estados façam uma redução abrupta do ICMS, enquanto o governo federal impõe aos governadores despesas maiores, como o aumento no salário dos professores. “Se queremos resolver o assunto, sentar, conversar para efetivamente resolvermos”, disse Leite, que participou de evento em Caxias do Sul.

Renato Casagrande (PSB), governador do Espírito Santo, que também estava em Brasília, disse que o desafio “cria debate falso, rasteiro e superficial nas redes sociais”. “Ele tem estilo de fazer política lançando cortina de fumaça. Não pode terceirizar essa responsabilidade”, afirmou.

As críticas tiveram apoio também do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). “O problema é que os governos, não só o do Jair Bolsonaro, mas dos ex-presidentes da República, já zeraram os cofres dos Estados”, disse. Segundo ele, todos os Estados estão quebrados. “Eu preferia tratar esse assunto, de economia, com quem entende de economia, que é o ministro Paulo Guedes. Não com o presidente Bolsonaro, que desse ponto não entende”, afirmou.

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