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Polícia Federal prende assessor de Temer acusado de receber propina

Preso na Operação Panatenaico, Tadeu Filippelli chega à superintendência da Polícia Federal. Foto:  José Cruz / Agência BrasilA Polícia Federal prendeu nesta terça-feira (23) Tadeu Filippelli (PMDB), assessor especial da Presidência da República, e os ex-governadores do Distrito Federal José Roberto Arruda (PR) e Agnelo Queiroz (PT). Os mandados foram expedidos pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília.

As prisões provisórias, por prazo inicial de cinco dias, fazem parte da Operação Panatenaico, desencadeada pela PF e pela Procuradoria da República no Distrito Federal para apurar o conteúdo de depoimentos de cinco executivos da empreiteira Andrade Gutierrez prestados em acordo de delação premiada.

Os delatores reconheceram prática de cartel e pagamento de propina na obra de reforma do estádio Mané Garrincha, feita para a Copa do Mundo de 2014 com superfaturamento, segundo os investigadores, de cerca de R$ 900 milhões.

Horas depois das prisões, o presidente Michel Temer assinou o ato de exoneração de Filippelli. Presidente regional do PMDB e ex-vice-governador do DF, Filippelli integrava um grupo de cinco assessores especiais escolhidos por Temer para despachar em uma sala a poucos metros de seu gabinete.

Além dele, eram conselheiros próximos o agora deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), José Yunes, Sandro Mabel e Gastão Toledo. Desses cinco, quatro foram citados em investigações federais.

Na Panatenaico foram expedidos mandados de prisão contra dez pessoas, incluindo Claudio Monteiro, ex-homem forte do governo Agnelo e contra pessoas apontadas como “operadores” dos políticos investigados: Afrânio Roberto de Souza Filho, que atuaria para Filippelli, Sérgio Lucio Silva Andrade, suposto “operador” de Arruda e Jorge Luiz Salomão (de Agnelo).

De acordo com o juiz, os delatores Rogério Nora, Clovis Primo e Flavio Gomes Machado, da Andrade Gutierrez, revelaram que a concorrência para a obra teria sido forjada para que vencesse o consórcio Via Engenharia & Andrade Gutierrez. Disseram ainda que houve pagamento de propina para Arruda, Agnelo e Filippelli, que era vice-governador do DF.

Segundo a decisão do juiz, Afrânio Filho, apontado como “operador” de Filippelli, recebeu 19 pagamentos de propina da Andrade, “o que revela indícios de que tenha cometido os delitos de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa”.

Além das prisões, o Ministério Público pediu a indisponibilidade dos bens dos investigados até o limite de R$ 60 milhões e o bloqueio dos bens ativos, contas e investimentos da Via Engenharia até o limite de R$ 450 milhões. O juiz autorizou o bloqueio de R$ 6 milhões de Filippelli, R$ 10 milhões de Arruda e R$ 10 milhões de Agnelo.

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