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Poit: ‘não sou candidato de Lula, Bolsonaro, Kassab ou Doria. Sou candidato de São Paulo’

Poit: “São Paulo precisa de um empreendedor liderando. De uma pessoa como o Zema”. Foto: Cleide Carvalho especial para o DR
Poit: “São Paulo precisa de um empreendedor liderando. De uma pessoa como o Zema”. Foto: Cleide Carvalho especial para o DR

O candidato ao governo do Estado de São Paulo pelo Novo, o deputado estadual Vinícius Poit, afirmou que o Estado de São Paulo, São Paulo, que sempre foi da prosperidade e da esperança, hoje é o Estado da insegurança, do desemprego e da inflação. Poit esteve no Diário Regional na última quinta-feira (28), acompanhado do candidato a deputado federal pelo Novo Paulo Proieti. Segundo o candidato a governador, que nasceu São Bernardo, em eventual mandato pretende reduzir o número de secretarias e administrar ao lado de pessoas técnicas, independentemente de partido político.

O que o motivou a lançar candidatura ao governo de São Paulo, já que está finali­zando o primeiro mandato como deputado estadual?

Primeiramente, sou contra aquela desculpa que os políticos dão de que um mandato de quatro anos é muito pouco, que não dá para fazer nada. Quem quer dá um jeito; quem não quer, dá desculpa. Com muita humildade, em quatro anos fizemos coisas que um deputado de dez mandatos não fez. Recebi reconhecimento como deputado mais transparente da história; que prestou mais contas e que inovou no jeito de mandar emendas, escolhendo por critérios técnicos e não políticos. Sou um dos deputados mais econômicos. Liderei a bancada paulista inteira. Nunca um deputado de primeiro mandato liderou a bancada do Estado. Isso prova que dá para fazer mais com muito menos tempo e menos recursos.

Além disso, tenho posicionamento pessoal, apesar de meu partido permitir uma reeleição para o Legislativo, sou contra. Aí, a gente olha para o Estado de São Paulo, que sempre foi da prosperidade e da esperança, hoje é o Estado da insegurança, do desemprego e da inflação. Não podemos deixar São Paulo desse jeito. Só entrei na política para fazer a diferença. Para ajudar o próximo e poder servir. Não vivo da política e não acredito que as pessoas devam viver da política. Sou empreendedor.

Não acredito que o Estado de São Paulo está bem representado. Temos um governo que está aí há 30 anos. As obras mais atrasadas, que cansamos de escutar, são Rodoanel, Tamoios. A ligação do ABC a São Paulo, metrô. É uma vergonha. Falo que é igual a história do sapo, que você coloca em uma panela com água, liga o fogo baixinho e vai esquentando. Quando o sapo vê está cozido. Fomos sendo esquentados pelo PSDB por 30 anos e temos um Estado inchado e gordo, que não faz nada.

Quais são as opções: ou o candidato do (João) Doria (Rodrigo Garcia,PSDB), ou o do Lula (Fernando Haddad/PT), ou o do (Jair) Bolsonaro (Tarcísio Freitas/Republicanos). Aí, fica tudo mais do mesmo. Respeito a todos que citei, mas chega dos mesmos. São Paulo precisa de um empreendedor liderando. De uma pessoa como o (Romeu) Zema (governador de Minas/Novo).

Você afirma sempre que se espelha no Zema.

Ele tem a mesma linha de trabalho que eu. Temos de trazer para São Paulo o estilo Zema de governar. Diminuir o número de secretarias. Prio­rizar quem está gerando empregos. Reforçar a Polícia Militar para lutar contra o crime organizado. Arrumar a Saúde com transformação digital. Incentivar o ensino técnico para melhorar a mão-de-obra e empregabilidade do jovem. É isso que temos de fazer em São Paulo. Não ficar criando privilégios e governando só para políticos.

O que mudaria na administração do Estado?
O número de secretarias dá para trazer de 27 para 17. Em eventual mandato, vamos fechar os escritórios do Palácio dos Bandeirantes e levar tudo para o Centro, a fim de ajuntar com as secretarias que estão lá. Acabar com a ala residencial do Palácio e transformar o local em um museu. Vamos privatizar a Sabesp, que ao invés de levar saneamento para todo mundo, fica gerando caixa para manter o PSDB no poder. Vamos lotear em consórcios de concessão, com metas de saneamento. Cumpriu a meta, ótimo; não cumpriu, a gente tira e coloca outro. O Estado tem de andar.

Colocaremos pessoas téc­nicas, como a nossa candidata a vice-prefeita, Doris Alves. Os quatro principais problemas do Estado são: primeiro, segurança; segundo, emprego; saúde e depois educação. Os dois primeiros dominamos. Eu domino emprego e renda. Minha prioridade e colocar ensino técnico e ensino integral; tirar o governo do cangote do empreendedor, baixando imposto e desburocratizando, para gerar mais emprego e colocar renda no bolso do povo, porque renda também ajuda a diminuir a insegurança pública. Já a Doris trabalhou na Segurança Pública por 31 anos na cidade de São Paulo. Isso é totalmente diferente do governo que está aí.

Não tenho padrinho po­lítico. Não sou candidato de Lula, Bolsonaro, Kassab ou Doria. Sou candidato de São Paulo. Fui deputado para abrir mão de poder e devolver para o povo. Quero ser go­vernador para abrir mão do poder e devolver para as cidades. O único, porque todo o resto é palanque eleitoral de alguém.

Assim como o candidato à presidência pelo Novo, Felipe D’Avila, você defende privatizações.

Encaro privatizações e PPPs (Parcerias Público-Privadas) como meios e não fim. Voltando à Sabesp, como empresa, precisamos vender as ações do Estado. Agora, o saneamento é uma concessão. Você deixa alguém para operar o saneamento por um tempo em troca de investimentos e de universalizar o esgoto. Já construir uma linha de metrô envolve muito investimento, pode ser uma Parceria Público-Privada. Então, encaro essas ferramentas como meios. Até porque, se tem tanta coisa no Estado, que é necessário escolher prioridades. Na Saúde temos as OSSs (Organizações Sociaisde Saúde). Identificado o problema, vamos ver qual se adequa mais. No fim das contas, a população vai receber de volta o que pagou de imposto.

Sua agenda traz como mote a Gestão Pública Ino­vadora.

Gestão Pública Inovadora é colocar cabeça de empreendedor. O que é isso? Existe um problema, vamos resolver. Não interessa que partido é, quantos votos teve. Vamos resolver o problema. Quem vai ser o secretário da Saúde? O melhor homem ou mulher que entende de Saúde no Estado. Teremos processo seletivo. E segurança e educação? A melhor pessoa do Estado nas áreas, e não do partido A ou B que eu devo algum favor. Será um governo técnico. Isso já foi feito pelo Romeu Zema e deu certo. Isso é inovador na política. O que não é inovador? Usar Fundão Eleitoral. O que é inovador? Fazer vaquinha online a partir de PIX de R$1.

Inovador é colocar Boletim de Ocorrência Unificado entre as polícias. Chega de rixas. Cada corporação é mantida, mas a base de dados é compartilhada. Já me contaram que, às vezes, o ladrão é liberado antes do policial militar, que tem de ficar preenchendo papelada. Então, os PMs vão subir os dados por meio de tecnologia para a nuvem (armazenamento de dados na Internet por meio de um provedor) e a hora que chegar para o escrivão já está resolvido. Libera o policial militar para voltar às ruas e o civil ganha tempo para focar nos crimes maiores, como a banco, à carga, homicídios.

Quando reduzimos o número de secretarias e o custo da máquina, sobra dinheiro para investir em folha. Fora a transformação digital da Saúde, com prontuário eletrônico para o Estado inteiro. Focar na medicina de família e na atenção primária. O agente de saúde anda com prancheta e papel. Não tem um tablet. Quando a gente foca em prevenção e na promoção da saúde, não ocorre gargalo lá na frente. Aquelas filas intermináveis para exames e cirurgias, nas quais morrem pessoas antes de serem atendidas. Vamos fazer coisas que não vemos há 30 anos no Estado de São Paulo.

Não preocupa concorrer com candidatos com mais experiência na política?

Busquei me aliar a pessoas que são melhores que eu em cada área. A Doris mesmo trabalha como servidora pública há muito tempo. Então, vamos nos complementando. Ir para o debate, vai ser um prazer enorme enfrenta-los, porque vai ficar evidente quem é o diferente ali. Quem simboliza a mudança e quem é político de carreira.

Como analisa o Novo no cenário nacional?

Nosso candidato, o D’Avila, brinca que a terceira via parece uma cadeira elétrica, quem sentou foi fritado. Aconteceu com (Sergio) Moro (União Brasil), com o Doria e está acontecendo com a Simone (Tebet/MDB). Enquanto isso, o D’Avila segue em frente e se os outros não fugirem do debate, como o Lula e o Bolsonaro, ele vai até o fim. É uma pessoa que tem equilíbrio e propostas que param em pé. Tem muita água para passar por debaixo da ponte até outubro.

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