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PM reage a descontrole em prisão em Rio Grande do Norte

Detentos com bandeiras de uma das facções tomaram o detalhado do presídio;  rebelião no fim de semana deixou ao menos 26 mortos. Foto:  Avener Prado/Folhapress

O presídio de Alcaçuz, na região metropolitana de Natal, enfrentou seu quarto dia seguido sem controle do governo estadual, com presos rebelados e, em meio à guerra entre facções criminosas, ameaçando mais assassinatos –26 foram mortos entre sábado (14) e domingo (15).

Pela primeira vez, a disputa foi acompanhada da reação de policiais militares, que, em cima de guaritas, iniciaram uma sequência de disparos para dentro da prisão.

O governo afirma que foram utilizadas apenas balas de borracha, mas, em meio aos cinco minutos seguidos de disparos praticamente sem interrupção, a reportagem presenciou os agentes atirando com munição letal –a partir de pistolas e fuzis calibre 556.

Após correria, tumulto e relatos de feridos, a intervenção da PM não foi suficiente para evitar a continuidade da rebelião nas horas seguintes.

Ontem de manhã, presos ligados à facção Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte tomaram o pavilhão 3 da cadeia. Essa era a última barreira física que separava detentos desse grupo da área comandada pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), na ala 5.

O massacre do final de semana ocorreu quando o PCC invadiu a área comandada pelo Sindicato –que teve maior numero de mortos.

Agora, os presos dessa ala falam em vingança. “A guerra só vai acabar quando tirarem o PCC daqui. Isso não vai ficar assim. A gente vai invadir”, gritou um preso, em cima do telhado, pela manhã.

O que separava os dois grupos era um pátio grande. O próprio secretario da Segurança do Rio Grande do Norte, Caio César Bezerra, afirmou que os presos estavam livres dentro da penitenciária. “Não há mais barreiras físicas. São os policiais que fazem essa separação, com seu esforço”, afirmou.

Por volta das 12h, dezenas de presos do Sindicato tentaram invadir o outro lado. Foi então que policiais na guarita, armados, começaram a atirar na direção dos presos.

Parentes dos detentos, do lado de fora, gritavam desesperados. O secretario da Justiça e Cidadania do RN, Wallber Virgulino, negou o uso de munição letal pela PM. “Foram usadas munições não letais [balas de borracha]. Os estampidos são parecidos.”

De acordo com presos que se comunicaram por telefone com parentes, quatro detentos ficaram feridos. A informação não foi confirmada pelo governo do Estado.

Do lado de fora, havia outra tensão: as mulheres dos presos ameaçavam umas às outras, dependendo do lado do presídio de cada parente.

“Não posso ir para o outro lado, senão elas me matam”, disse a vendedora Rita (nome fictício). Seu marido está na ala dominada pelo PCC.

TELHADOS

Na segunda, policiais militares entraram no presídio e retiraram cinco homens que, segundo o governo do Estado, lideraram o massacre que matou 26 presos. Eles foram transferidos. O governo do Estado, no entanto, não revelou qual foi o destino.

O secretário Virgulino reconhecia a situação precária de Alcaçuz, embora sem admitir descontrole. “Os pavilhões estão destruídos e eles sobem nos telhados para tentar se defender”.

Nesta terça, mais cedo, o governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD), afirmou que o motim era uma represália da facção criminosa PCC ao massacre ocorrido em Manaus no início do ano.

Faria disse que o PCC mandou um recado para o governo, de que iria “tocar fogo em Natal”, caso os líderes da facção fossem transferidos para prisões de outros Estados.
Vídeos feitos no presídio de Alcaçuz mostram o clima tenso dentro da cadeia.

Em um dos clipes, que circula por grupos de policiais, um homem que se apresenta como agente de segurança, mostra, aparentemente de uma das guaritas, o presídio dividido em dois, com os presos do PCC de um lado e os do Sindicato do Crime do

Rio Grande do Norte, do outro.
O homem que faz as imagens chega a dizer que os dois grupos “estão soltos” e que um confronto entre eles está prestes a acontecer. “De vez em quando, a gente atira pra não deixar acontecer o confronto, por que se tiver o confronto será morte demais.”

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