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PIB sobe 0,8% no 3º trimestre, mas está 5% abaixo do teto

PIB sobe 0,8% no 3º trimestre, mas está 5% abaixo do teto
Agropecuária deu a principal contribuição para a alta do PIB. Foto: Arquivo

A economia voltou a crescer no terceiro trimestre deste ano. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a alta do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 0,8% em relação ao segundo trimestre. Porém, analistas fazem a ressalva: a base de comparação é baixa, já que o desempenho do trimestre anterior foi muito prejudicado pela greve dos caminhoneiros. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, a alta foi de 1,3%. Apesar de ser o sétimo trimestre seguido de alta, o país ainda tem longo caminho a percorrer só para recuperar o que perdeu na crise.

Segundo o IBGE, o PIB do terceiro trimestre está 5% abaixo de seu nível máximo, re­gistrado no primeiro trimestre de 2014, antes do início da recessão. É como se a atividade econômica estivesse no mesmo patamar do primeiro semestre de 2012.

“É um cenário em que o paciente saiu da UTI e agora inspira menos cuidados”, resu­miu o economista-chefe da Aus­tin Rating, Alex Agostini.
O resultado anunciado ontem (30) não foi suficiente para mudar as projeções para a economia este ano e em 2019. Segundo pesquisa feita pelo Projeções Broadcast, a estima­tiva ainda é de alta de 1,3% neste ano e de 2,5% em 2019. Os mais otimistas até apostam em avanço acima de 3% no ano que vem, mas a ressalva é de que isso depende da aprovação de reformas logo no início do go­verno de Jair Bolsonaro (PSL).

“O cenário ainda é de cautela. O crescimento deve ser certamente melhor do que o deste ano, mas há dois riscos presentes em 2019, não triviais”, disse Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, citando o cenário externo e a Previdência.

Para o economista José Luís Oreiro, professor da Universidade de Brasília (UnB), a reforma da Previdência e seu resultado sobre as contas públicas são o fator mais importante. “O crescimento pode ser um pouco maior em 2019, mas vai depender muito dos três primeiros meses de governo”, disse.

Estruturalmente, sem as reformas, o PIB manteria taxas de crescimento medíocres. Seria média de 0,5% ao ano, no período entre 2020 a 2031, com possíveis períodos de recessão, conforme cenários calculados­ pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Com as reformas, a taxa média de crescimento subiria a 2,2% ao ano.

No terceiro trimestre, a economia cresceu puxada pela agro­pecuária (alta de 0,7%) e pelos serviços (0,5%), quando se olha a atividade econômica sob a ótica da oferta. A indústria avançou 0,4%. Sob a ótica da demanda, destacou-se a alta nos investimentos (6,6%), ainda que o avanço tenha sido artificialmente inflado por mudança nas regras tributárias sobre pla­taformas de petróleo.

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