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PIB da região perderá R$ 5,2 bilhões com isolamento até o dia 31

PIB da região perderá R$ 5,2 bilhões com isolamento até o dia 31
Produção de itens de alto valor dificulta retomada na indústria. Foto: Divulgação/VW

O isolamento social adotado para con­­ter a pandemia do novo coronavírus já reduziu em R$ 3,8 bilhões o Produto In­­ter­no Bruto (PIB) do ABC nes­te ano, mas as perdas na pro­dução de bens e serviços de­­vem chegar a R$ 5,2 bilhões até o dia 31, quando termina a terceira prorrogação da qua­rentena decretada pelo gover­no do Estado em 24 de março.

A projeção foi feita pelo Ob­servatório de Políti­­cas Pú­blicas e Empreendedo­ris­mo da Universidade Municipal de São Caetano (Conjuscs), que es­­­ti­­mou o impacto sobre o PIB re­gional da restrição às ativida­des econômicas não essenciais.

O Conjuscs considerou, no cálculo, projeção da Organi­za­ção para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo a qual os paí­ses desenvolvidos perderão dois pontos porcentuais de crescimento no PIB para cada mês de confi­namento de sua população.

Além disso, o observatório estimou, para o cálculo, que o PIB dos sete municípios somou R$ 112 bilhões no ano passado. O último dado oficial disponível é o de 2017 e mostra produção de riquezas de R$ 118,6 bi­lhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com os 52 dias de qua­rentena completados hoje (14), o PIB regional já teria acumulado perdas de 3,5%. Até o próxi­mo dia 30, quando o confinamento alcançará 69 dias, o tombo será de 4,6%.

Assim, segundo o Conjuscs, a perda no PIB da região dependerá da duração do iso­lamento social. Para cada mês em quarentena, o rombo estimado é de R$ 2,24 bilhões.

“É importante ressaltar que, não obstante o cálculo reali­zado, o isolamento social é necessário no combate à covid-19. A perda econômica é um mal menor diante do total de perdas de vidas humanas que ocorreria se o isolamento não fosse adotado”, afirmou o economista Jeffer­son José da Conceição, que coordena o observatório.

Segundo balanço divulgado ontem pelo Consórcio Intermu­nicipal, o ABC acumula 3.090 casos confirmados de covid-19, com 290 mortes. Há ainda 6.466 casos e 52 óbitos suspeitos à espera de confirmação.

Conceição considera que a projeção está subestimada e que a queda no PIB do ABC pode ser maior, uma vez que, mesmo após o fim do isola­mento social, a retomada da ativida­de econômica será lenta, devido à queda na renda decorrente do aumen­to do desemprego e à dificuldade que muitos empresários terão para restabelecer seus negócios.

“A retomada dependerá da confiança do consumidor de que terá renda e emprego para voltar a consumir além dos gêneros de primeira necessidade e da resiliência dos empresários em meio ao cenário de demanda mais contida”, afirmou o economista.

O coordenador do Conjuscs destacou ainda que o ABC será mais afetado do que outras re­giões, uma vez que sua indústria produz itens de maior va­lor, como veículos e máquinas e equipamentos. “São setores que vão demo­rar mais tempo para se recuperar.”

Ainda segundo o economista, a recuperação também vai depen­der do alcance das medidas adotadas pelo governo para mitigar as perdas econômicas provocadas pela pandemia. “O auxílio emergencial ameniza a crise, mas é insuficiente. É preciso aumentar a duração dessas medidas e discutir a criação de programa de renda mínima permenante para grupos vulneráveis, combinada à tributação sobre he­ranças e fortunas.”

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