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PIB cresce além do esperado, mas reforça fraqueza da economia

PIB cresce além do esperado, mas reforça fraqueza da economiaO Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou alta de 0,4% no segundo trimestre de 2019 ante os três primeiros meses do ano, informou nesta quinta-feira (29) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o segundo trimestre de 2018, a produção de riquezas e serviços do país apresentou alta de 1%.

Ainda segundo o instituto, o PIB do segundo trimestre de 2019 totalizou R$ 1,780 trilhão.

Embora reforce a avaliação de maior fraqueza da economia brasileira em 2019, o resultado veio um pouco acima do esperado pelo mercado e afastou o risco de entrada do país em recessão técnica, caracterizada por dois trimestres seguidos de retração do PIB. No primeiro trimestre houve queda de 0,1%, segundo dado revisado nesta quinta-feira pelo IBGE.

A gerente de Contas Trimestrais do IBGE, Cláudia Dionísio, afirmou que o avanço das reformas econômicas no Congresso influenciou positivamente o resultado. A da Previdência foi aprovada na Câmara e tramita agora no Senado.

“Qualquer medida que afete as expectativas e atinja a confiança dos agentes afeta sim (a atividade econômica). Nesse caso, no segundo trimestre a gente nota que houve melhora. Os indicadores de confiança estão ainda muito aquém do que foram no passado, mas estão registrando leve melhora, tanto entre os empresários como entre os consumidores”, disse Cláudia.

Pela ótica da oferta, o resultado foi puxado pelo PIB da indústria, que subiu 0,7% no segundo trimestre de 2019 em relação aos três meses iniciais do ano. Na mesma comparação, o PIB da agropecuária caiu 0,4%  e o do o setor de serviços subiu 0,3%. Ante o segundo trimestre do ano passado, a indústria avançou 0,3%, a agropecuária cresceu 0,4% e os serviços, 1,2%.

Dentro do resultado da indústria, a construção chamou a atenção pelo bom desempenho no segundo trimestre. O aumento de 2,0% contra o mesmo período de 2018 interrompeu sequência de 20 trimestres de queda.  A última alta nessa base de comparação havia ocorrido no primeiro trimestre de 2014 (avanço de 8,2%).

A gerente de Contas Trimestrais do IBGE destacou que o resultado positivo tanto na construção como na indústria de transformação foi neutralizado pelo desempenho da indústria extrativa, que caiu em dois trimestres seguidos devido ao rompimento da barragem de Brumadinho. Além disso, a incidência de chuvas no Pará prejudicou a extração de minério de ferro.

Pela ótica da demanda, o resultado foi puxado pelo consumo das famílias, que subiu 0,3% no segundo trimestre de 2019 em relação aos três meses iniciais deste ano. Foi o décimo trimestre consecutivo sem quedas nesse tipo de comparação. Ante o segundo trimestre de 2018 houve alta de 1,6%, nono resultado positivo seguido. O indicador representa 60% do PIB brasileiro.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) – importante indicador de investimentos – subiu 3,2% no segundo trimestre em relação aos três meses iniciais deste ano. Contra o mesmo trimestre de 2018, houve alta 5,2%, sétima seguida nessa base de comparação.

“O consumo das famílias é o que mais pesa (no cálculo do PIB) e já vem crescendo há bastante tempo, mas os investimentos (alta de 3,2%) tiveram aceleração no segundo trimestre”, disse Claudia, destacando que o aumento reflete o crescimento na importação de bens de capital e na construção.

O consumo do governo, por sua vez, caiu 1,0% ante ao primeiro trimestre deste ano. Trata-se o pior desempenho desde o primeiro trimestre de 2014, quando o recuo foi de 1,2%. Na comparação com o segundo trimestre de 2018, houve queda de 0,7%.

As exportações diminuíram 1,6% em relação ao primeiro trimestre, mas mostraram alta de 1,8% ante o segundo trimestre de 2018. Na mesma comparação, as importações subiram 1,0% e 4,7%, respectivamente.

“Teve a crise internacional, principalmente da Argentina, que está prejudicando as exportações de nossos produtos manufaturados”, disse a gerente de Contas Trimestrais do IBGE.

 

Bolsonaro: ‘Começamos a recuperar a confiança na economia’

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) comemorou crescimento de 0,4% do PIB no segundo trimestre, resultado melhor que o esperado pelos analistas. O presidente classificou o resultado como “positivo”.

“A questão da nossa economia vem em função que começamos a recupera confiança perdida nos últimos anos”, declarou.

Bolsonaro ponderou que, “obviamente, a economia tem de melhorar bastante” e disse reconhecer o “árduo trabalho” que teria o ministro da Economia, Paulo Guedes. “Precisamos de recursos”, disse.

O presidente voltou a afirmar que encontrou o país sob crise “ética e moral”. “A agenda conservadora é tão criticada, mas é essencial, é a âncora, base de uma sociedade”, disse o presidente, que discursou no lançamento do “Em frente Brasil”, programa que prevê a união das forças de segurança municipal, estadual e federal para atacar a violência urbana.

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