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PIB cresce 0,2% no segundo trimestre e indica estagnação às vésperas da eleição

PIB cresce 0,2% no segundo trimestre e indica estagnação às vésperas da eleição
Construção civil registrou o segundo semestre seguido no “vermelho” e está em recessão. Foto: Arquivo

A economia brasileira perdeu o ritmo de crescimento às vésperas da eleição. Dados divulgados ontem (31) pelo Ins­tituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) re­velam a atividade girando em ritmo baixo desde meados do ano passado. No segundo trimestre, drenado pelos 11 dias de greve dos caminhoneiros, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 0,2% em relação ao número já fraco do primeiro trimestre (0,1%).

Nas próximas semanas até o início de outubro, a expectativa de economistas é que haja alguma melhora na atividade, mas insuficiente para afetar a sensação de estagnação.

“Vamos ficar girando em torno desse patamar baixo de crescimento. Não vamos ace­lerar, nem descer a ladeira, vamos ficar por aí”, afirmou Silvia Matos, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Silvia diz fazer parte do grupo de economistas oti­mistas, que esperam crescimento ao redor de 1,5% neste ano. Com os números divulgados, as revisões para baixo nas projeções deverão acelerar.

No segundo trimestre, a greve dos caminhoneiros drenou a atividade de setores relevantes, como a indústria, e abateu o investimento, que caiu 1,8% ante o resultado do primeiro trimestre.

Para além dos dias parados, economistas observam que a reação do governo, cedendo aos grupos grevistas com mais gastos públicos em meio a uma grave crise fiscal, adicionou incertezas ao futuro.

Somada à indefinição elei­toral, o efeito é um clima de “esperar para ver” em boa parte do setor produtivo. A principal dúvida é se o presidente eleito será capaz de conduzir reformas necessárias para dar sustentabilidade às contas do go­verno sem que seja necessário forte aumento de impostos.

Entre as famílias, os nú­meros do mercado de trabalho têm mais apelo do que os do PIB, apostam os analistas. Na quinta-feira, o IBGE mostrou que 12,9 milhões de pessoas seguem desempregadas entre maio e julho e que recorde de 4,8 milhões sofriam de desalento – ou seja, desistiram de procurar trabalho.

Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, disse que, se o país estivesse crescendo mais, a greve não teria feito tanto estrago, e o dólar não teria subido com tamanha velocidade, na esteira da incerteza criada pela greve e pelo cenário externo conturbado.

“Esse é o problema de cres­cer pouco: há mais vulnerabilidade a choques adversos, como uma greve ou quebra de safra, por exemplo”, afirmou.

Zeina e Silvia Matos observam que o risco de economia estagnada durante a campanha eleitoral é dar força a discursos extremistas ou de cunho populista, com soluções fáceis para problemas complexos na economia.

“Se o próximo presidente entender a missão que tem pela frente e tiver a capacidade política de fazer as reformas, vamos nos surpreender com a capacidade de crescimento rápido da eco­nomia”, afirmou Zeina.

 CONSTRUÇÃO

Depois do primeiro trimestre no vermelho, a construção civil voltou a cair entre abril e junho, configurando recessão técnica (dois trimestres seguidos no negativo). Houve queda de 0,8% no segundo trimestre, ante os primeiros três meses do ano. Em relação ao mesmo período do ano passado, o tombo foi de 1,1%.

Um dos principais motores da economia na década passada, o consumo das famílias reduziu seu ritmo de crescimento. Houve alta de 1,7% no segundo trimestre ante igual período de 2017.

O aumento, porém, representa desaceleração no rimo de consumo, já que, no primeiro trimestre, a alta havia sido de 2,8%. Na passagem do primeiro para o segundo trimestre, houve ligeira alta de 0,1%.

O mercado de trabalho ruim, a renda que não avança há quase dois anos e a greve dos caminhoneiros explicam o resultado.

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