Economia, Notícias

PIB cai 0,1% no 2º trimestre e se mantém no patamar pré-pandemia

Resultado interrompe trajetória de três trimestres positivos iniciada após o tombo causado pela 1ª onda da pandemia
Resultado interrompe trajetória de três trimestres positivos iniciada após o tombo causado pela 1ª onda da pandemia

A economia brasileira interrompeu no segundo trimestre deste ano a trajetória de recuperação iniciada após o tombo causado pela primei­ra onda da pandemia de covid-19. O Produto Interno Bruto (PIB), soma dos bens e serviços produzidos no país, registrou li­geira queda de 0,1% em relação ao primeiro trimestre, informou ontem (1º) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado interrompe a sequência de três trimestres po­sitivos seguidos de crescimento da economia brasileira, iniciada no terceiro trimestre de 2020. Em valores correntes, o PIB chegou a R$ 2,1 trilhões.

Com o resultado, a economia brasileira se mantém operando no mesmo patamar do quarto trimestre de 2019 e início de 2020, ou seja, no pré-pandemia de covid-19.

Mesmo com o avanço da vacinação em todo o país, a reabertura econômica e a diminuição das internações pelo novo coronavírus, a inflação atrelada à instabilidade política e aos riscos fiscais ainda preocupam. O último relatório Focus do Banco Central redu­ziu a expectativa do mercado financeiro para o crescimento da economia em 2021 de 5,27% para 5,22%.

“Os patamares de inflação ainda incômodos, o elevado nível de desemprego e a continuação da alta da taxa de juros deverão atuar como fatores negativos para a atividade econômica no terço final do ano”, comentou João Beck, economista e sócio da BRA.

Segundo o IBGE, a economia brasileira avançou 6,4% no primeiro semestre. Nos últimos quatro trimestres acumula alta de 1,8% e, na comparação com o segundo trimestre de 2020, cresceu 12,4%.

Pela ótica da oferta, o de­sempenho da economia no trimestre vem do resultado ne­gativo da agropecuária (-2,8%) e da indústria (-0,2%). Por outro lado, os serviços avançaram 0,7% no período.

O agronegócio, que teve bom desempenho em um ce­nário de desvalorização do dólar nos últimos trimestres, cedeu à conjuntura negativa e não repetiu altas anteriores.

Para Leonardo Trevisan, eco­nomista e professor da ESPM, dois pontos se des­ta­caram: o deslocamento das compras chinesas para os Estados Unidos e as condições climáticas adversas no Brasil. “Apesar do confronto aparente entre China e Estados Unidos, os chineses têm comprado mais do agronegócio americano do que do brasileiro”, disse.

O cenário de estiagem prolongada e as fortes ondas de frio que atingiram as regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil também não ajudaram os produtores do agronegócio.

A atividade industrial também recuou devido às quedas de 2,2% nas indústrias de transformação e de 0,9% na atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos. Essas quedas compensaram a alta de 5,3% nas indústrias extrativas e de 2,7% na construção.

“A indústria de transformação foi influenciada pelos efeitos da falta de insumos nas cadeias produtivas, como é o caso da automotiva, que lida com a falta de componentes eletrônicos. A atividade não está conseguindo aten­­der a demanda. Na atividade de ener­gia houve aumento no custo de produção por conta da crise hídrica que fez aumentar o uso das terme­létricas”, explicou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Nos serviços, os resultados positivos vieram de quase todas as atividades, com destaque para informação e comunicação (5,6%), comércio (0,5%), atividades imobiliárias (0,4%). O crescimento de 0,7% em relação ao primeiro trimestre vem em linha com a reabertura da economia com o aumento da va­cinação contra a covid-19.

Pela ótica da demanda, o resultado do segundo trimestre também refletiu o consumo das famílias, que não variou no período (0,0%), ainda impactado pelos efeitos da pandemia. Já o consumo do governo teve alta de 0,7%. Os investimentos (rubrica que, no PIB, é chamada de Formação Bruta de Capital Fixo) recuaram 3,6% no período.

“Apesar dos programas de auxílio do governo, do aumento do crédito a pessoas físicas e da melhora no mercado de traba­lho, a massa salarial real vem caindo, afetada negativamente pelo aumento da inflação. Os juros também começaram a subir. Isso impacta o consumo das fa­mílias”, observa Rebeca.

A balança comercial brasileira teve alta de 9,4% nas exportações de bens e serviços e queda de 0,6% nas importações.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*