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Pianista supera o câncer: ‘decidi que não ia me afundar’

Depois de enfrentar dois tratamentos contra o câncer de mama, Inês continua dando aulas de piano . Foto: A2img / Ciete Silvério

O diagnóstico de câncer de mama é um momento terrível. Porém, se diagnósticado e tratado no início, as chances de cura são de 90%. Conheça a história inspiradora da pianista Inês Vasconcellos, paciente em acompanhamento no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp).

“Você tem duas escolhas na vida. Ou encara com felicidade e amor ou vai para baixo. Decidi que não ia me afundar, que iria levar minha vida normalmente. Quando descobri que tinha câncer de mama, estava com uma série de aulas agendadas. Sou pianista da Royal Academy of Dance e do Estúdio de Ballet Cisne Negro. Na hora, até pensei: ‘E, agora, o que eu faço?’ Resolvi seguir em frente.

O primeiro diagnóstico veio em 2003, quando eu tinha 55 anos. Fiz a retirada da mama e coloquei prótese. Tive rejeição após dois anos. Troquei a prótese em 2008 e depois de cinco meses ela expeliu sozinha. Então, fiz a reconstituição da mama com outra cirurgia.

Em 2010, descobri um novo câncer na mama, mais agressivo e invasivo. Foi nessa época que fui para o Icesp, porque meu filho fazia tratamento lá. Ficamos nós dois lutando, eu de um lado e ele de outro. Infelizmente meu filho não resistiu e faleceu há quatro anos. Ele era jovem. A gente nunca acha que um filho vai ter algum problema assim.

Não dá para dizer que é fácil. Mas temos que pensar que é uma fase. Nunca fui triste para uma sessão de quimioterapia. Pelo contrário, ia feliz porque sabia que aquilo iria me curar. Sim, caiu o cabelo, caíram os cílios, as sobrancelhas, perdi todas as minhas unhas das mãos e dos pés. Meus dedos ficaram cheio de feridas. Eu colocava esparadrapo nas pontas dos dedos para tocar meu piano, porque não deixei de tocar nenhum dia.

Todos dizem que nosso cabelo cai no 14º dia após a primeira quimioterapia. Eu decidi não esperar isso acontecer. Quando chegou o 13º dia, acordei cedo, fui ao cabelereiro e pedi para passar a máquina 1.

Liguei para minha nora e disse a ela: avisa as crianças que estou careca. Fala para elas não se assustarem. Meus netos eram pequenos e já estavam vendo o processo do meu filho, pai deles. Cheguei na casa deles e já avisei, da porta: Olha! A vovó está careca. Um dos meus netos, com 8 anos à época, me disse: ‘Vovó, sua beleza não está no cabelo, está na graça da sua pessoa’.

Isso é o que importa. Meus cabelos cresceram depois, os cílios, tudo. Olha aqui minhas unhas! Estão normais! Tudo voltou ao normal e eu sigo alegre. Não perdi a alegria em viver, porque ela é minha motivação nesta vida.”

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