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PGR pede manutenção da prisão preventiva de João de Deus

PGR pede manutenção da prisão preventiva de João de Deus
João de Deus está preso desde o dia 16 deste mês. Foto: Arquivo

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, enviou nesta quarta-feira, 26, petição ao Supremo Tribunal Federal (STF) em que defende a manutenção da prisão preventiva de João Teixeira de Faria, o João de Deus. O médium está preso no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia desde o dia 16 deste mês, acusado de abusar sexualmente de mu­lheres que eram atendidas na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO).

Na semana passada, a Polícia Civil concluiu o primeiro inquérito contra João de Deus e pediu seu indiciamento por violação sexual mediante fraude.

Na manifestação encami­nhada ao presidente do STF, ministro Dias Toffoli, responsável pelas decisões durante o recesso do Judiciário, a procuradora defende a manutenção da prisão por haver risco de fuga e intenção do médium de dificultar as investigações. Cita as movimentações financeiras feitas por João de Deus.

Dodge aponta também que nem o Tribunal de Justiça de Goiás nem o Superior Tribunal de Justiça (STJ) analisaram ainda o mérito de habeas corpus apresentado pela defesa do líder religioso. A PGR pediu também a suspensão do sigilo do caso.

DEPOIMENTO

Em depoimento prestado nesta quarta-feira, João de Deus disse que “não se lembra” das mulheres que o acusam de abuso sexual. João de Deus está preso no Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia. Por volta de 10h15 de ontem, o médium chegou à Promotoria para depor sob forte escolta policial. Antes do depoimento, os promotores do Estado deram à defesa acesso aos autos da investigação.

Para o criminalista Alberto Zacharias Toron, que defende João de Deus, é justificável que não se recorde do nome das mulheres que o acusam. “Ele recebia entre 1 mil a 1,5 mil pessoas todos os dias. Foi perguntado a ele, especificamente, sobre três mulheres. Ele res­pondeu, logicamente, que não se recordava delas”, informou Toron. “Se você recebe 1.500 pessoas por dia e vem uma e fala que em abril ou maio aconteceu isso ou aquilo, por nome é impossível lembrar, obviamente”, disse. “Categoricamente, negou que tivesse feito qualquer coisa errada.”

João de Deus respondeu a todas as perguntas, segundo Toron. “Queriam saber do funcio­namento da casa (Dom Inácio de Loyola). Ele explicou tudo. Os promotores foram res­peitosos, permitiram que examinássemos os autos, o que até então não havia sido permitido”, afirmou o advogado.

Cerca de 600 denúncias já chegaram ao Ministério Público, de vítimas de vários Estados e de outros países. A Polícia e a Promotoria tomaram o depoimento formal de 78 mulheres. A previsão é de que os promotores concluam a primeira denúncia ainda nesta semana.

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