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PF indicia Lula e vê atuação para favorecer Odebrecht

Para polícia, Lula teria recebido recursos ilícitos ao atuar na liberação de recursos junto ao BNDES. Foto: Ricardo Stuckert

A Polícia Federal indiciou sob suspeita de corrupção o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusado de beneficiar um parente, Taiguara Rodrigues, em contratos com a empreiteira Odebrecht. Ro­drigues, sobrinho da primeira mulher de Lula, e Marcelo Odebrecht, ex-presidente e herdeiro da construtora, foram indiciados sob suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro.

Segundo a investigação, o ex-presidente teria beneficiado o empresário, que trata como sobrinho, por meio da Odebrecht em contratos em Angola. Lula também teria recebido recursos ilícitos ao atuar na liberação de recursos junto ao BNDES a favor de obras do grupo baiano em Angola. Ao todo, a empreiteira recebeu cerca de US$ 1,5 bilhão do banco estatal para investir no país.

Enviado na terça (4) para análise do Ministério Público Federal (MPF), o relatório final assinado pela delegada Fernanda Costa Oliveira, que esteve à frente das investigações, diz que a Exergia Brasil, empresa de Rodrigues, foi subcontratada pela Odebrecht para prestar serviços no país africano sem nunca ter estrutura ou funcionários para executá-los.

Na avaliação dos investigadores, a função da Exergia era apenas a de receber propina, sendo que parte dela teria sido remetida a Lula. De 2009 a 2015 a empresa recebeu R$ 20,6 milhões da Odebrecht, sua única cliente, por meio de 17 contratos.

Trocas de mensagens entre Rodrigues e Valmir Moraes, um dos seguranças de Lula, indicam que o empresário falava com frequência com o petista sobre sua atuação em Angola, inclusive quando o “tio” ainda era presidente.

De acordo com as mensagens Lula e Rodrigues ficaram no hotel Epic Sana, onde se reuniram. Um pouco antes de se encontrarem em Luanda, Rodrigues enviou mensagem ao celular do segurança pedindo para que ligasse para ele.

O relatório também traz conversas de 2015 do empresário com José Emanuel Ramos, seu sócio em algumas empresas, como a G74, que nunca teve atividade profissional e servia para lavar dinheiro da Exergia, segundo a PF. Nelas, Rodrigues diz que teve uma reunião muito boa com o presidente da Odebrecht.

Participação

Para a PF, Lula houve a participação direta para que Rodrigues abrisse a empresa. O relatório é a conclusão da Operação Janus, deflagrada em maio e que teve Taiguara como dos alvos.

Em depoimento à PF, o empresário afirmou que recebeu os R$ 20,6 milhões para intermediar contatos para a Odebrecht em Angola via sua empresa. Ele também conformou que o único cliente que a sua empresa teve foi a empreiteira baiana.

Uma secretária da Exergia ouvida pela PF aumentou a suspeita de que a empresa só existiu no papel. Ela afirmou, em depoimento, que pagava apenas despesas pessoais de Rodrigues, e que estas eram muito altas.

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