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Petrobras sobe 8% e ajuda a puxar Bolsa; dólar cai para R$ 3,74

A Bolsa brasileira subiu, e o dólar caiu ante o real nesta segunda-feira (4), em movimento alinhado com a menor aversão ao risco no exterior e impulsionado pelas ações Petrobras, que recuperaram parte das perdas do último pregão.

O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas por aqui, subiu 1,76%, para 78.596 pontos. O giro financeiro foi de R$ 16,6 bilhões, influenciado pela compra da Eletropaulo pela italiana Enel por R$ 5,5 bilhões -foram negociadas 122,7 mil ações a R$ 45,22 cada.

O dólar comercial caiu 0,63% ante o real, para R$ 3,744. O dólar à vista perdeu 0,42%, cotado a R$ 3,7429.

Apesar de ter segurado uma alta de 0,63% na sexta-feira (1º), dia de mercados abalados com a renúncia de Pedro Parente da presidência da Petrobras, o índice acumulou queda de 5,4% desde 21 de maio, quando teve início a paralisação dos caminhoneiros.

A Petrobras, que perdeu quase 15% só na sexta e 31,8% desde o começo da paralisação, recuperou parte das perdas neste pregão. Os papéis preferenciais avançaram 8,48%, e os ordinários, 5,83%. As ADRs (recibos de ações negociadas nos Estados Unidos) avançaram 5,63% nesta sessão, a US$ 10,70.

Investidores receberam bem a indicação de Ivan Monteiro para a presidência da petroleira, mas não se dissipou a possibilidade de haver mudanças na política de preços da empresa -hoje, eles podem ser definidos até diariamente, em paridade com o mercado internacional.

“O mercado gostou do nome do Ivan Monteiro, mas ainda está meio difícil falar sobre a política de preços. Embora o governo e a Petrobras digam que não vão mexer nisso, pode vir ao menos uma mudança na periodicidade dos ajustes”, avalia Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos.

A Petrobras já sinalizou ao governo que aceita debater a revisão da política de reajuste diário do preço da gasolina, desde que a cotação internacional do combustível continue a servir de referência para o preço no mercado interno.

A Guide Investimentos vê continuidade entre a gestão de Parente e Monteiro, mas recomendou cautela para os papéis da estatal. “A possibilidade de interferência política na gestão da empresa, e novas alterações na fórmula da nova política de preços, é algo que tende a pressionar os papéis no curto prazo”, disse a corretora em relatório.

Analistas destacam também notícia do jornal Valor Econômico desta segunda, segundo o qual a ANP (Agência Nacional do Petróleo) teria enviado em abril ao TCU (Tribunal de Contas da União) dados de um laudo que projeta a existência de até 17,2 bilhões de barris de óleo recuperáveis nas reservas excedentes da cessão onerosa do pré-sal, volume quase 15% superior ao divulgado em novembro.

As reservas excedentes serão objeto de leilão no qual o governo espera arrecadar até R$ 100 bilhões. Antes, porém, precisa chegar a um acordo com a Petrobras para a revisão do contrato da cessão onerosa, de 2010. Por ele, a estatal passou a ter direito de explorar regiões do pré-sal mesmo sem a realização de uma licitação. Em troca, a empresa pagou R$ 74,8 bilhões ao Tesouro Nacional.

“O tema da cessão onerosa deve ganhar mais relevância nos próximos dias. A expectativa fica por conta da aprovação, na Câmara, do projeto de lei que autoriza a Petrobras a realizar novas parcerias para a exploração dos barris da cessão onerosa. […] Caso haja uma decisão favorável para a Petrobras, até o final deste ano, seria extremamente positivo para a estatal, fornecendo assim fôlego financeiro para a companhia”, diz o relatório da Guide.

“A cessão onerosa está bem além no prazo e o mercado está esperando por isso. É um dinheiro importante, principalmente para a questão fiscal”, afirma Chinchila.

A BRF subiu 4,28%, ainda em meio a expectativas de que Pedro Parente possa assumir a presidência da gigante de alimentos.

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